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A indústria brasileira de madeira processada tenta barrar a aplicação de uma nova tarifa adicional de 25% recomendada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).
A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) apresentou uma defesa técnica e afirma que os produtos nacionais não competem com a produção americana, mas complementam a demanda do mercado dos EUA.
“Em relação à defesa da ambiência dos produtos de madeira processada, a nossa expectativa é que as autoridades do governo americano avaliem e interpretem tecnicamente, porque elas foram baseadas no desempenho técnico dos produtos, da complementaridade do produto brasileiro na demanda americana. Reforçamos que nós não competimos com a produção local dos Estados Unidos”, afirmou Pupo.
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Representantes da Abimci participaram de audiência pública em Washington para apresentar os impactos da possível medida sobre a indústria brasileira. A expectativa do setor é que as negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos avancem antes da adoção de qualquer nova tarifa.
Segundo o presidente da Abimci, os questionamentos feitos durante as audiências públicas seguiram uma abordagem técnica e estiveram alinhados aos argumentos apresentados pela indústria brasileira.
“As perguntas também não foram capciosas, elas foram técnicas. Sempre perguntando se existem outros suprimentos ao redor do mundo, se o Brasil é essencial, ou seja, veio muito em linha com as nossas defesas, tanto a defesa macro do setor, assim como as das defesas mais específicas por segmento de produto, onde nós pedimos a isenção tarifária”, explicou.
Para Pupo, a análise técnica dos argumentos apresentados pode abrir espaço para a exclusão tarifária de parte dos produtos brasileiros.
“Saímos daqui das audiências públicas com uma expectativa boa de que, se a questão técnica prevalecer nas análises, eu creio que o setor possa ter chance de exclusão tarifária em vários de seus produtos”, disse.
Segundo a entidade, a proposta representa uma ameaça à competitividade do setor no principal mercado de destino das exportações brasileiras de madeira processada. Os Estados Unidos absorvem cerca de metade das vendas externas do segmento, que movimentaram aproximadamente US$ 1,2 bilhão em 2025.
Impactos no setor
De acordo com a Abimci, as empresas ainda enfrentam os impactos das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos no ano anterior, que chegaram a atingir 50% em alguns produtos e provocaram retração da produção, queda nas exportações, demissões e insegurança comercial.
O setor de madeira processada emprega cerca de 180 mil trabalhadores diretamente no Brasil e concentra aproximadamente 90% da capacidade produtiva instalada nos estados da Região Sul, com forte presença em pequenos e médios municípios.
Na defesa apresentada ao USTR, a Abimci destacou que a indústria brasileira é abastecida principalmente por florestas plantadas e opera com práticas de manejo sustentável, sistemas de rastreabilidade e mecanismos de controle alinhados à legislação ambiental brasileira.
Além da atuação institucional da associação, segmentos como portas, compensados, molduras, pisos e madeira serrada também apresentaram defesas próprias às autoridades comerciais dos Estados Unidos. A entidade ainda orientou empresas associadas a buscar apoio de clientes e parceiros comerciais norte-americanos para reforçar os argumentos contra as novas tarifas.
Para a associação, a eventual aplicação da sobretaxa pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros diante de concorrentes internacionais submetidos a custos tarifários menores, prejudicando a recuperação das exportações e afetando a geração de emprego e renda em regiões dependentes da atividade florestal e madeireira.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por andressasimao
