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Soja brasileira resiste, com a saca cotada a R$133 após relatório do USDA

Por CNN Brasil Fonte: julianacamargo 01/07/2026 às 10:32
Soja brasileira resiste, com a saca cotada a R$133 após relatório do USDA

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Preço da soja no Brasil fechou o mês de junho em alta de 2,66%, nos valores pagos o Porto de Paranaguá (PR). Mantendo a estabilidade mesmo com a divulgação de uma safra maior de soja nos Estados Unidos.

Nesta terça-feira (30) o USDA, Departamento de Agricultura norte-americano, publicou dois relatórios que balizam as expectativas do mercado global de grãos para os próximos meses: o levantamento trimestral de estoques e o relatório de área plantada da safra 2025/26 norte-americana.

Estoques de milho surpreendem, soja fica em linha

Os dados sobre o milho impulsionaram o preço do grão na Bolsa de Chicago. Os contratos futuros abriram em alta forte de cerca de 1,5% nesta quarta-feira (01) seguindo a tendência iniciada no dia anterior, após a divulgação do relatório.

Segundo o USDA, os estoques de milho nos Estados Unidos somam 134,5 milhões de toneladas. O volume abaixo da faixa projetada pelo mercado, que ia de 137 a 139 milhões de toneladas.

Para Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado da StoneX, a diferença sugere um possível erro de estimativa da safra anterior: “A aposta do mercado, depois da publicação desse relatório, é que muito possivelmente a gente tenha visto uma superestimativa. Muitos analistas comentam que provavelmente o USDA trouxe um número para a safra 25/26 acima do que foi de fato, o que se reflete nesse número de estoques mais pressionado”, afirma o analista.

Quanto o relatório de área não trouxe grandes surpresas, segundo o analista. “A gente teve uma redução, em comparação ano a ano, da área de milho e uma elevação na área de soja. A área de soja que foi trazida nesse relatório de junho foi um pouco maior do que era inicialmente esperado, mas nada com grandes surpresas para o mercado”, explica.

A combinação dos dois relatórios foi bem recebida pelo mercado. A soja em grão seguiu o movimento do milho e abriu a quarta-feira (01) com ganho de quase 1%.

Impacto para o produtor brasileiro

Para o analista da StoneX, o cenário é delicado para a soja brasileira no mercado internacional. “A gente vê os estoques relativamente bem abastecidos nos Estados Unidos, com a perspectiva de incremento de área plantada, que tende a entregar uma oferta mais robusta e colocar a soja norte-americana mais competitiva no mercado global”, avalia.

Segundo ele, isso configura um fator baixista para as cotações na CBOT:  “é um cenário um pouco mais preocupante para o produtor brasileiro, que vai ter que competir com esse tanto de soja que está por vir dos Estados Unidos”.

No porto de Paranaguá (PR), a soja foi negociada nesta terça-feira (30) a R$ 133,60 a saca de 60 quilos. A alta de 2,66% no acumulado de junho representa a recuperando dos preços praticados em janeiro.

Bulascoschi destaca que o produtor brasileiro segue competitivo, sustentado pela entressafra e por fatores cambiais: “A gente está em um período de entressafra aqui no Brasil, então naturalmente os preços da soja no Brasil tendem a ter ganhos. Isso também tem sido bastante ajudado por situações particulares, como uma desvalorização do real em comparação ao dólar, que tende a entregar uma competitividade maior para commodities agrícolas brasileiras, bem como um primeiro semestre que foi muito bom do ponto de vista de exportações de soja”.

“Desse ponto de vista, o Brasil continua se mantendo competitivo, e os preços da soja no interior e nos portos brasileiros continuam a encontrar pontos de sustentação, apesar desses fatores mais baixistas, olhando de um ponto de vista mais global no mercado de oleaginosas”, conclui o analista.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por julianacamargo

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