O governo federal vai “usar todos os meios” para convencer os Estados Unidos a não seguirem com o novo tarifaço contra o Brasil, afirmou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), em entrevista exclusiva à CNN Brasil.
“Entendo que tem espaço sim para entendimento, porque não é justa essa alíquota de 25% que está sendo proposta”, enfatizou Alckmin.
No começo de junho, o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil, exceto para mercadorias que se enquadram como “sujeitas às tarifas de segurança nacional” – de modo que itens como carne bovina, café e petróleo estariam isentos da alíquota.
O órgão afirmou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.
A ação judicial proposta vem nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana – ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
No dia 6 de julho, será realizada nos EUA uma audiência pública onde a sociedade civil poderá apresentar argumentos favoráveis ou contrários ao novo tarifaço. A decisão final sobre aplicação ou não da alíquota será divulgada no dia 15 de julho.
“Não tem sentido, o Brasil não é um problema. Nós vamos argumentar mostrando que a tarifa é baixa, que não é justa essa tributação”, pontuou o vice-presidente, retomando os argumentos já levantados pelo governo de que os EUA têm superávit comercial com o Brasil e que nossa alíquota média para os produtos norte-americanos é baixa, em 3,7%.
Além disso, ressaltou que dos dez produtos que os brasileiros mais compram dos EUA, oito entram no país com alíquota zero.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por joaonakamura


