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Uma semana após o duplo terremoto que atingiu a Venezuela, a situação de emergência continua a piorar. O número oficial de mortos chegou a quase dois mil, enquanto equipes venezuelanas e internacionais prosseguem com os esforços de resgate, que se arrastam há dias em Caracas e La Guaira, as áreas mais afetadas do país.
Com o passar dos dias, o impacto se torna mais visível: o número de desabrigados aumenta, mais casas são danificadas e os abrigos improvisados continuam a se lotar.
A ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), que coordena a resposta de proteção e abrigo, alertou na terça-feira (30) que a situação humanitária nas áreas afetadas “se deteriorou rapidamente”.
Com milhares de pessoas ainda desabrigadas, hospitais sobrecarregados e comunidades inteiras deslocadas, a emergência na Venezuela permanece sem um fim claro à vista.
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Emergência que se agrava sobre outra crise
Segundo a ACNUR, cerca de 16 mil pessoas foram afetadas e precisaram buscar abrigo. Muitas não conseguiram. Cerca de 39% permanecem nas ruas ou em espaços públicos, enquanto outras estão hospedadas com parentes ou em abrigos temporários, como igrejas, escolas ou instalações improvisadas.
A agência afirmou que há “uma grave escassez de alimentos, o colapso dos serviços básicos e um aumento nos riscos de proteção para a população deslocada”.
Em Caracas, o Parque del Este se tornou um abrigo temporário para centenas de famílias que continuam chegando enquanto aguardam notícias sobre o que acontecerá com suas casas, que foram danificadas e, em muitos casos, tornadas inabitáveis durante os terremotos.
Entretanto, especialistas estão percorrendo os edifícios afetados e avaliando, por meio de um sistema de “semáforo”, quais ainda são habitáveis e quais correm risco de desabamento devido a danos estruturais.
Além disso, a presidente interina, Delcy Rodríguez, prometeu na segunda-feira a construção de novas casas para as vítimas.
“Há milhares de soluções antes do final do ano”, disse ela em uma transmissão no canal estatal VTV, a partir da sede do Estado-Maior para a Criação de Acampamentos Temporários e Planejamento de Construção de Moradias.
Saúde em colapso
O sistema de saúde, que já enfrentava dificuldades antes da tragédia, também está sob forte pressão.
A OMS informou que hospitais em diversas regiões estão operando com superlotação, serviços interrompidos e atrasos em cirurgias. Pelo menos três centros de saúde sofreram danos graves e outros seis estão funcionando apenas parcialmente.
Além disso, quase 50 mil pessoas continuam desaparecidas em La Guaira e Caracas, presas sob os escombros de prédios que desabaram, informou o IRC (Comitê Internacional de Resgate) em um comunicado.
Dimensão dos Danos
Os números oficiais dão uma ideia da magnitude do desastre. Segundo dados apresentados na terça-feira (30) por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, 189 edifícios desabaram completamente em todo o país, 158 dos quais em La Guaira.
No total, Rodríguez afirmou que cerca de 855 edifícios foram danificados no país, alguns com danos severos, outros com danos parciais e outros ainda com colapso total.
Esse número está longe dos dados apresentados por instituições como a NASA.
A agência espacial americana estimou que até 60 mil edifícios podem ter sido danificados ou destruídos na Venezuela após os terremotos, segundo um relatório baseado em dados de radar de satélite publicado no fim de semana.
Corrida contra o tempo
As operações de busca e resgate continuam ativas nas áreas mais afetadas, especialmente em Caracas e La Guaira, onde equipes trabalham entre os escombros há quase uma semana. O passar dos dias complica as operações e reduz as chances de encontrar sobreviventes.
“Ainda temos os resgates mais difíceis e arriscados pela frente”, reconheceu Exequiel Gallardo, membro da equipe USAR do Corpo de Bombeiros do Chile, falando de La Guaira. O especialista descreveu um cenário em que o tempo se torna um fator crítico, à medida que as equipes tentam acessar áreas cada vez mais instáveis.
Mesmo assim, em meio a essa situação, histórias de esperança continuam a surgir. Em Caracas, uma equipe de socorristas da Jordânia conseguiu resgatar uma criança com vida dos escombros seis dias após o terremoto.
A criança foi encontrada com sinais vitais estáveis e recebeu atendimento imediato antes de ser levada para um hospital.
Mas nem todos têm o mesmo destino. Em La Guaira, uma mãe recuperou o corpo do filho, um dos mais de 100 imigrantes venezuelanos deportados dos Estados Unidos que estavam hospedados no Hotel Santuario no mesmo dia em que os terremotos derrubaram o prédio.
Após vários dias de buscas, ela confirmou o óbito e conseguiu identificá-lo no necrotério.
Ajuda internacional
A Major League Baseball (MLB) — a principal liga de beisebol dos Estados Unidos — e sua associação de jogadores anunciaram uma doação de US$ 1 milhão à Cruz Vermelha para apoiar os esforços de recuperação.
Em La Guaira, a organização Samaritan’s Purse montou um hospital de campanha com salas de cirurgia e unidades de terapia intensiva para tratar os feridos. “Muitas pessoas precisam urgentemente de atendimento médico”, disse a organização.
Além disso, a ONU planeja auxiliar meio milhão de pessoas em abrigos montados após os terremotos, segundo estimativa feita na terça-feira ()30 por Stephanie Hochstetter, diretora do PMA (Programa Mundial de Alimentos) no país.
Ela explicou que já distribuíram cestas básicas de emergência para cerca de 1.200 pessoas, e que esperam que esse número aumente nos próximos meses.
Esse conteúdo foi publicado originalmente emVer original TópicosCaracasDelcy RodríguezTerremotoVenezuela
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por poliannelima


