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A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega veio acompanhada de muito estresse e tristeza para a torcida verde e amarela. A decepção, segundo especialistas, pode causar prejuízos graves à saúde física e mental dos brasileiros.
A quebra de expectativa com o futebol pode ser o gatilho para intensificar um desgaste que já vinha se acumulando, principalmente para os mais fanáticos pela amarelinha. O apoio familiar e psicológico são fundamentais neste momento, segundo a psiquiatra Luana Carvalho.
“Pode aumentar o estresse, a ansiedade, prejudicar o sono, a concentração e até afetar o desempenho no trabalho. Quando esse estresse é prolongado, aumenta o risco de esgotamento físico e emocional”, afirma.
A sensação com a derrota histórica do Brasil, que não era eliminado nas oitavas de final da Copa do Mundo desde 1990, pode gerar um verdadeiro sentimento de perda. Luana afirma que é natural sentir um vazio e uma grande decepção.
“O torcedor cria expectativas, faz planos, sonha com o título e se envolve emocionalmente durante toda a competição. O problema é quando esse sofrimento é tão intenso que a pessoa deixa de trabalhar, estudar ou conviver com a família por vários dias. Nesses casos, vale procurar ajuda de um profissional de saúde mental”, explica a especialista.
Pressão alta e taquicardia
O nervosismo e a ansiedade com a Seleção também podem ter um impacto rápido no bem-estar físico das pessoas. O cardiologista esporte, Ricardo Contesini, explica que pode ocorrer o aumento a pressão arterial e da frequência cardíaca, com risco de complicações graves.
“Isso acontece por uma liberação de uma substância chamada catecolamina. Entre elas pode ser adrenalina, epinefrina, norepinefrina, que são substâncias que aumentam a pressão. Então, se o paciente já for hipertenso, isso pode trazer aquela sensação de coração acelerado, além de uma vasoconstrição“, detalha.
Segundo Contesini, nessa condição, os vasos do coração ficam menores e isso pode causar problemas. Por exemplo, se alguém tiver uma placa de gordura no coração, a vasoconstrição pode ocasionar em alterações como infarto agudo do miocárdio e AVC (Acidente Vascular Cerebral).
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O médico explica que o aumento da frequência cardíaca faz com que o coração trabalhe mais, precisando de mais oxigênio e sangue — e os problemas podem até persistir.
“Pode ser um problema principalmente naquelas pessoas que já têm fatores de risco. A liberação de adrenalina e pinefrina podem permanecer no organismo e, a cada estímulo que você tiver, a cada decepção, estresse, ansiedade, ela pode voltar na corrente sanguínea. Isso pode permanecer por vários dias dentro da corrente sanguínea da pessoa, principalmente se o estímulo se mantiver. Então, não é só no primeiro momento, só naquele momento inicial de raiva. Pode ainda permanecer por dois, três, até quatro dias na corrente sanguínea, aumentando o risco de problemas cardiovasculares“, conta o especialista.
Como superar?
O cardiologista compara o trauma da eliminação da Copa com uma situação de luto: a perda de um familiar ou de um ente querido, especialmente para os torcedores mais fanáticos.
“A gente pode colocar sim que pode se assemelhar a um luto e pode também se assemelhar à perda de um familiar. Alguma alteração na qual se libera muito hormônio na corrente sanguínea e a pessoa sente esse mal-estar. Inclusive, existem as fases do luto, aqueles passos que a pessoa passa depois de perder uma pessoa querida, que é a raiva, a barganha, até chegar na aceitação“, explica Contesini.
De acordo com a psquiatra, ficar triste faz parte da torcida, mas não é bom alimentar uma sensação de raiva o tempo todo. “Vale dar um tempo das discussões nas redes sociais, praticar atividade física, conversar com amigos sobre outros assuntos e manter a rotina normalmente”.
Ela lembra também que, por mais importante que o futebol seja, ele é apenas uma parte da vida.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Rafael Saldanha
