ContilNet Notícias
Notícias

Trump elogia Fifa e chama reviravolta sobre Balogun de “brilhante”

Por CNN Brasil Fonte: anasantos 06/07/2026 às 12:33
Trump elogia Fifa e chama reviravolta sobre Balogun de “brilhante”

Compartilhar matéria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (6) que a decisão da Fifa de suspender a punição do atacante Folarin Balogun, expulso na Copa do Mundo, foi “brilhante” após ele próprio entrar em contato com o presidente da entidade, Gianni Infantino.

A medida, porém, provocou forte reação da Uefa, que declarou que a Fifa “cruzou uma linha vermelha”.

O caso colocou em evidência o processo disciplinar da Fifa e levou a Bélgica, adversária dos Estados Unidos nas oitavas de final disputadas nesta segunda, a contestar a condição de Balogun para atuar na partida.

O atacante havia sido expulso na vitória dos norte-americanos sobre a Bósnia e Herzegovina após uma entrada dura, punição que normalmente resulta em suspensão automática de um jogo.

Falando no Salão Oval da Casa Branca, Trump afirmou que pediu pessoalmente a Infantino uma revisão da punição.

“Ele [Balogun] não fez nada de errado e é o nosso melhor jogador. Quando tiram o seu melhor jogador e dizem: ‘Você não pode jogar’, isso é muito injusto“, disse Trump.

O presidente norte-americano voltou a elogiar a decisão da Fifa.

Acho que eles tomaram uma decisão realmente brilhante. Pedi uma revisão. Se eles não permitissem que um grande jogador atuasse, acho que isso deixaria uma grande mancha na Copa do Mundo. Transmiti esse sentimento.”

O episódio rapidamente se tornou o principal assunto do Mundial, superando debates sobre questões táticas e escalações e colocando em foco a relação entre esporte e poder político.

Leia Mais

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Uefa afirmou estar “incrédula diante de uma decisão sem precedentes, incompreensível e injustificável” e declarou que a decisão da Fifa “cruzou uma linha vermelha”.

“Quando a segurança das regras deixa de ser garantida por seus próprios guardiões, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade de uma competição é comprometida”, afirmou a entidade.

Diversas federações nacionais também criticaram a decisão.

“O fundamental é que os regulamentos existentes sejam previsíveis, transparentes e iguais para todos. Se um cartão vermelho, que normalmente leva à suspensão, passa a ser adiado no meio de um campeonato em andamento sem clareza sobre o motivo e sobre como as regras devem ser aplicadas, consideramos isso muito problemático”, declarou Simon Astrom, presidente da Federação Sueca de Futebol, à agência TT.

Bélgica contesta elegibilidade

A Federação Belga de Futebol informou que contestou oficialmente a decisão da Fifa que autorizou Balogun a atuar contra a Bélgica.

“A RBFA ainda não recebeu qualquer decisão ou explicação da Fifa sobre este assunto. Independentemente do resultado esportivo desta partida, a RBFA está profundamente preocupada com o desenrolar dos acontecimentos e continuará lutando nas próximas horas, dias e meses em defesa dos princípios fundamentais da ética, da competição justa e dos interesses do futebol como um todo”, informou a entidade em nota.

As críticas também partiram de nomes importantes do futebol.

“Este é o nosso esporte, não o deles”, afirmou o ex-técnico do Liverpool, Jürgen Klopp, atualmente em negociações para assumir a seleção da Alemanha.

“Se Donald Trump e Gianni Infantino realmente resolveram isso entre eles, é uma loucura. Isso coloca tudo em dúvida. Essas duas pessoas, que não entendem de futebol, não deveriam ter absolutamente nada a ver com isso”.

A repercussão chegou também ao meio político. O comissário europeu para o Esporte alertou para a “instrumentalização do esporte para fins políticos”.

Poucos minutos após o anúncio da suspensão da punição, o tema passou a dominar programas esportivos e debates na televisão, com comentaristas, ex-jogadores e analistas discutindo se a Fifa havia feito justiça ou comprometido suas próprias regras.

A Fifa não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters sobre a decisão nem sobre a conversa entre Trump e Infantino.

Não é a primeira vez neste ano que a entidade é acusada de misturar política e futebol. Em fevereiro, Infantino participou da reunião do Conselho da Paz promovida por Trump, o que gerou questionamentos sobre a neutralidade política da Fifa.

“Grande injustiça”

Balogun, autor de três gols pelos Estados Unidos na Copa do Mundo, foi expulso após revisão do VAR na vitória sobre a Bósnia e Herzegovina, pela fase de 32 avos de final. O atacante acertou a parte de trás da perna e o pé do defensor Tarik Muharemovic com as travas da chuteira.

O cartão vermelho resultou em suspensão automática de um jogo, deixando o atacante fora da partida contra a Bélgica. Posteriormente, a Fifa decidiu suspender o cumprimento da punição por um período probatório de um ano, sem anular o cartão vermelho.

Trump agradeceu à Fifa na rede Truth Social “por fazer a coisa certa e reverter uma grande injustiça”. A Casa Branca também comemorou a liberação do atacante em uma publicação na rede X com a mensagem: “USA-USA-USA.”

O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, também questionou a decisão, após ver o zagueiro Jarell Quansah ser expulso na vitória inglesa por 3 a 2 sobre o México, nas oitavas de final.

“Quem vai reverter essa decisão, então, e quando? Com base em quê? Até onde isso vai agora? Para mim, isso é estranho“, declarou Tuchel aos jornalistas no Estádio Azteca.

Até mesmo o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter, que deixou o cargo em 2015 em meio a acusações de corrupção, criticou a decisão.

“Cartões vermelhos não são anulados por telefonemas políticos. Eles são revertidos por regras, provas e órgãos independentes”, afirmou.

“Se um presidente dos Estados Unidos intervém junto ao presidente da Fifa — e um jogador é liberado repentinamente antes de uma partida de mata-mata da Copa do Mundo — a pergunta é inevitável: Quo vadis, Fifa? O futebol jamais deve se tornar um playground do poder político“, disse Blatter.

Acompanhe Esportes nas Redes Sociais

Siga noSiga no Forum InterSiga no Forum InterTópicosCopa do MundoCopa do Mundo 2026Donald TrumpEstados Unidos (seleção)Futebol internacionalGianni Infantino


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por anasantos

Sair da versão mobile