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Uma delegação do Talibã do Afeganistão se reuniu com autoridades da União Europeia em Bruxelas, capital da Bélgica, na terça-feira (23) pela primeira vez.
Esse foi um evento que grupos de direitos humanos denunciaram como legitimação dos islamitas, mas que a UE defendeu como um passo para facilitar a repatriação de solicitantes de asilo cujos pedidos foram negados.
A União Europeia e seus países membros não reconhecem o governo talibã desde que o grupo militante regressou ao poder há cinco anos, após 20 anos de guerra contra um governo apoiado por uma força da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) liderada pelos Estados Unidos.
No entanto, Bruxelas defendeu sua decisão de realizar conversas limitadas com as autoridades do Afeganistão, alegando que são necessárias para deportar requerentes de asilo rejeitados que cometem crimes ou são considerados perigosos.
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Um porta-voz da Comissão Europeia, o órgão executivo da UE, afirmou que representantes da Comissão e de 15 integrantes da UE participaram da reunião na Bélgica, que deu continuidade a um encontro anterior realizado em Cabul, em janeiro.
“Os serviços da Comissão e a Suécia copresidiram nesta quarta-feira (24), em Bruxelas, uma reunião de nível técnico com representantes técnicos das autoridades do Afeganistão responsáveis pelo retorno e readmissão”, afirmou o porta-voz da Comissão.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão descreveu a agenda como mais ampla, afirmando que ela incluía uma possível presença consular na UE, a retomada dos serviços consulares para afegãos naquele país e “a necessidade de medidas para fomentar a confiança”.
O encontro gerou “esperança de criar um impulso positivo para defender os direitos consulares dos afegãos residentes no exterior”, acrescentou o porta-voz, Abdul Qahar Balkhi.
Uma carta da Comissão dirigida a Balkhi e analisada pela agência de notícias Reuters afirmava que as negociações se concentrariam “no retorno e readmissão de cidadãos afegãos sem direito de permanência na UE”.
A visita foi duramente criticada por grupos de direitos humanos e por diversos políticos europeus, que afirmaram que tal envolvimento poderia colocar os afegãos em risco e minar os valores fundamentais da União Europeia.
“A Europa não deve legitimar um regime responsável por uma das piores crises de direitos humanos do mundo”, disse Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e ativista paquistanesa pela educação de meninas, em uma publicação na rede social X.
The EU has invited Taliban officials to Brussels to discuss a migration deal — and today I am shaken and deeply disturbed by this.
This is the same Taliban that banned girls from secondary schools and forced them into marriage. The same Taliban that, earlier this month,… pic.twitter.com/1X3tmlTxjh
— Malala Yousafzai (@Malala) June 22, 2026
Além de conferir legitimidade ao Talibã, o encontro também é controverso devido aos seus potenciais efeitos.
“A consequência mais óbvia e perigosa é que os afegãos serão devolvidos da UE e enfrentarão perseguição do Talibã após sua chegada”, disse Jeff Crisp, ex-chefe de Desenvolvimento e Avaliação de Políticas do Acnur e pesquisador visitante da Universidade de Oxford.
O Ministério das Relações Exteriores da Bélgica emitiu um visto que permitia aos representantes afegãos entrar no país por apenas um dia e restringia sua presença ao território belga, em vez de permitir a livre circulação normal na zona Schengen da UE.
Desde que retornou ao poder, o Talibã tem restringido progressivamente os direitos, limitando a liberdade de movimento das mulheres, proibindo que meninas estudem além do ensino fundamental e impondo leis de moralidade que limitam a liberdade de expressão e o acesso ao emprego.
TópicosAfeganistãoEuropaOTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte)TalibãUnião Europeia
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Giovanna Csiszar



