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O conglomerado chileno Cencosud um acordo para comprar a totalidade das operações da St. Marche, rede de supermercados premium do estado de São Paulo. Um contrato de compra e venda foi assinado nesta quarta-feira (24), segundo pedido de recuperação judicial do Grupo Hortus, atual controlador da marca.
A operação foi firmada por meio da subsidiária Cencosud Brasil Comercial, que já é responsável no país pelas operações das redes GBarbosa e Giga Atacados.
A aquisição será feita sem dívidas ou desembolso de caixa, ou seja, a St. Marche será adquirida sem qualquer endividamento financeiro por parte da Cencosud, segundo comunicado do grupo chileno.
O anúncio vem em paralelo ao envio do plano de recuperação judicial do Grupo Hortus.
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Enviado nesta quarta-feira à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, o documento atesta que o Grupo Hortus enfrentou crise de liquidez entre os anos de 2024 e 2025, e agora busca a medida para obter proteção judicial contra cobranças e execuções enquanto tenta concluir a “venda estratégica” para a Cencosud.
A petição visa um período de suspensão das execuções (stay period) de 180 dias para estabilizar a operação. Ainda sustenta que a recuperação não é a solução final, mas um instrumento para viabilizar a venda do negócio para o grupo chileno, considerada pela companhia como a solução definitiva para o endividamento.
A conclusão da compra ainda está sujeita a condições usuais de fechamento, incluindo a aprovação da recuperação judicial, além de aprovação pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Uma vez atendidas as condições, a transação será bancada com recursos da alienação das operações da Cencosud em Minas Gerais.
Segundo o pedido de recuperação judicial do Grupo Hortus, as lojas St. Marche e Empório Santa Maria devem seguir operando, de modo que aproximadamente 2.100 empregos diretos serão preservados.
O grupo reitera que a cadeia de fornecedores será mantida, apesar de a operação seguir sob nova direção após a venda.
O plano visa priorizar fornecedores, proprietários dos imóveis alugados e financiadores, uma vez que os considera essenciais para manter as lojas funcionando até o fechamento da operação com a Cencosud.
Recuperação judicial do Grupo Hortus
O documento apresentado pelo Grupo Hortus à justiça de SP destaca uma série de eventos ligados ao cenário macroeconômico recente do país como causadora da crise na empresa.
Entre julho de 2021 e agosto de 2023, o St. Marche expandiu de 21 para 33 lojas, movimento no qual o grupo afirma ter investido mais de R$ 120 milhões.
A expansão foi planejada com a expectativa de que fosse realizada, em paralelo, a abertura de capital da empresa, com um IPO (oferta pública inicial) previsto na B3 em 2021. Com o agravamento das condições macroeconômicas à época, a operação não se concretizou.
Sem os recursos do mercado de capitais, a empresa recorreu a financiamentos bancários, de modo que os empréstimos elevaram a despesa financeira do grupo em meio a alta dos juros no período, que foram de 2% no começo de 2021 a 13,75% em 2023.
A empresa ainda argumenta que novos supermercados levam de quatro a cinco anos para atingir maturidade operacional, de modo que as novas lojas ainda não geravam o retorno esperado.
Como agravante da crise de liquidez, o grupo relata ainda redução de linhas de crédito, cortes em operações de risco-sacado, atrasos com fornecedores e queda de confiança dos credores.
Com menos crédito, o grupo passou a operar com estoques menores, o que provocou falta de produtos nas lojas, perda de clientes, redução do ticket médio, queda da frequência de compras e, consequentemente, redução das receitas.
Uma recuperação extrajudicial anterior, em 2025, voltada aos credores financeiros, foi insuficiente para resolver as obrigações e passivos correntes, o que levou ao novo pedido de recuperação judicial.
Segundo term sheet das condições gerais do plano, os créditos trabalhistas terão tratamento privilegiado na recuperação judicial, considerando:
- Pagamento de até R$ 160 mil por trabalhador;
- Prazo máximo de 30 dias após o fechamento da venda ou até 12 meses após a homologação do plano, o que ocorrer primeiro;
- Eventual valor acima de R$ 160 mil é considerado quitado.
Já os credores quirografários, pequenos negócios parceiros e eventuais credores de Classe II (com garantia real) receberão até R$ 5 mil à vista e o restante em parcelas de longo prazo com diferentes condições propostas.
Enquanto isso, os fornecedores que continuarem abastecendo a rede durante a recuperação serão classificados como “Fornecedores Parceiros”, categoria que também deve abranger proprietários dos imóveis das lojas e locadores que aceitarem manter os contratos e a transferência para a Cencosud.
Esses credores serão priorizados e receberão:
- Correção pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo);
- Pagamento integral à vista em até 60 dias após a transferência da operação para a Cencosud.
Assim, o plano cria um incentivo para que fornecedores continuem entregando mercadorias, locadores não tentem rescindir contratos e a operação permaneça funcional até o fechamento da venda.
Enquanto a transição ocorre, está previsto que a Cencosud disponibilize linhas de crédito para compra de mercadorias e manutenção das operações. Esses recursos terão status semelhante ao de financiamento DIP, com prioridade especial na recuperação.
Após a venda de parte de seus ativos, o Grupo Hortus pretende continuar existindo em escala reduzida.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por joaonakamura



