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Veja imagens do bate-boca em júri de PMs acusados de matar Gritzbach

Por CNN Brasil Fonte: Bruna Lopes 29/06/2026 às 13:34
Veja imagens do bate-boca em júri de PMs acusados de matar Gritzbach

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A CNN Brasil obteve acesso às imagens registradas durante o julgamento dos policiais militares acusados de participação na morte do empresário Vinicius Gritzbach, delator do PCC (Primeiro Comando da Capital). A sessão, ocorrida na segunda-feira (22), foi anulada após a defesa deixar o plenário.

A defesa dos réus e a promotoria já trocavam provocações desde o início do julgamento. Na ocasião, houve um intenso embate verbal entre as partes, inclusive com ofensas de cunho pessoal.

O estopim da briga ocorreu durante o depoimento de um capitão da Polícia Militar, onde foi mencionado um suposto atentado sofrido pelo advogado Mauro Ribas, presente na banca. Segundo a defesa, o fato seria totalmente alheio ao caso julgado.

Veja:

É possível observar o momento em que a defesa acusa o promotor Rodrigo Merli Antunes de querer trazer um fato alheio ao caso, supondo possíveis atuações e sintonia dos advogados com o “bando dos criminosos”.

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Durante o interrogatório, o promotor questiona se o capitão já teria conduzido um inquérito policial militar onde agentes teriam cometido um atentado contra o advogado. A testemunha afirma que realizou um inquérito administrativo.

Após a afirmação, o promotor tenta desenvolver a tese de que a defesa estaria apresentando contradições, fato que teria sido elucidado pelo próprio depoimento do capitão.

O conflito escalou quando a defesa dos réus acusou o Ministério Público de “cinismo” ao descobrir que o perito criminal arrolado pela acusação teve acesso prévio a documentos sigilosos da defesa.

Um dos defensores chega a questionar ao capitão se ele teria, de fato, alinhado questões com o promotor antes da sessão. “O senhor tá trazendo elementos que não existem nos autos. O senhor [capitão] conversou com o doutor [promotor] antes do depoimento?”, pergunta.

Relembre: Caso Gritzbach: julgamento tem bate-boca e ameaça de abandono

A partir deste momento, os defensores afirmam não aceitar a “criminalização da advocacia” cometida pelo Ministério Público, e deixam o plenário sob alegações de que o promotor seria “covarde” e “mentiroso”.

“Respeita a advocacia, rapaz! Vambora! É uma palhaçada, uma postura lamentável de um homem [promotor] que não tem prova e quer incriminar três inocentes!”, dizem os advogados.

Veja o momento da briga final

Conflito foi para fora do plenário

A disputa e versões de narrativas se estendeu para o lado de fora do Tribunal. Tanto defesa quanto acusação deram suas versões sobre o caso.

Veja o que disse a acusação

O promotor Rodrigo Merli Antunes reforçou sua tese de que a defesa criou narrativas e mentiras acerca do caso. Para ele, o depoimento do capitão elucidou que o atentado seria uma “fraude” criada pelos advogados.

Veja o que disse a defesa

Para o Dr. Claudio Dalledone, presente na banca de defesa dos réus, o caso foi “crônica de uma tragédia anunciada”. Ele afirma que não irão tolerar esses tipos de ataques e irão representar o promotor.

Sob protestos de familiares que clamavam pela continuação do julgamento, o destino dos réus e o veredito do caso foram adiados. Denis Martins, Ruan Rodrigues e Fernando Genauro da Silva seguem presos.

O que dizem as partes

À CNN Brasil, a defesa dos réus repudiou o ocorrido e alegou ter sido alvo de ataques pessoais durante o julgamento. Leia na íntegra: 

“A banca de defesa dos policiais militares acusados no caso Vinícius Gritzbach vem a público manifestar seu profundo repúdio aos ataques pessoais e às ofensas dirigidas aos advogados que exercem a defesa técnica dos acusados durante a sessão plenária do Tribunal do Júri. No decorrer dos trabalhos, os advogados da defesa foram alvo de manifestações incompatíveis com o ambiente de respeito e urbanidade que deve nortear o Tribunal do Júri, sendo reiteradamente associados, de forma pejorativa, à condição de defensores de “assassinos de aluguel” e “e conversam com assassinos” expressões ofensivas e desqualificadoras dirigidas à advocacia.

Em especial, o advogado Mauro Ribas foi atingido por referências indevidas a um episódio traumático de sua vida pessoal, consistente em atentado anteriormente sofrido, circunstância que foi trazida ao plenário de maneira absolutamente desrespeitosa e desvinculada do objeto do julgamento, em evidente afronta à dignidade profissional e às prerrogativas da advocacia. As sucessivas ocorrências geraram situação de absoluta excepcionalidade, reconhecida pelo próprio Juízo Presidente, tornando inviável a continuidade regular dos trabalhos e culminando na dissolução do Conselho de Sentença.

A defesa informa que adotará todas as providências institucionais e legais cabíveis em razão dos fatos ocorridos, por compreender que o exercício da advocacia criminal é função essencial à administração da Justiça e não pode ser alvo de intimidações, ataques pessoais ou tentativas de deslegitimação. Por fim, a banca reafirma seu compromisso com a defesa dos réus, permanecendo na representação do Tenente Genauro, do Cabo Denis e do Soldado Ruan, aguardando a designação de nova data para julgamento”.

Ministério Público de São Paulo, por sua vez, repudiou “não só as quase consumadas agressões físicas em face do sobredito promotor, como também lamenta a conduta ao final adotada”. Leia:

“Ao contrário do propalado pela defesa dos PMs acusados no processo em referência, o Ministério Público do Estado de São Paulo vem a público esclarecer que, na última segunda-feira, o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri da Comarca de Guarulhos não foi dissolvido pelo magistrado em função da conduta de um dos promotores de Justiça, mas sim diante da recusa dos advogados em prosseguirem no julgamento, deixando, assim, os réus indefesos para a continuidade da sessão.

A instituição repudia não só as quase consumadas agressões físicas em face do sobredito promotor, como também lamenta a conduta ao final adotada, que não só posterga a prestação jurisdicional e a pacificação dos conflitos, mas também gera custos ao erário e, principalmente, a revitimização das famílias enlutadas”.

*Sob supervisão de AR.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Bruna Lopes

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