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Familiares buscam desesperadamente por entes queridos depois que um hotel, que abrigava mais de 100 venezuelanos deportados pelos Estados Unidos na quarta-feira (24), desabou durante terremotos devastadores ocorridos naquela mesma noite.
Os deportados haviam sido levados ao Hotel Santuario, em La Guaira, uma cidade litorânea ao norte da capital, Caracas.
Horas mais tarde, dois terremotos de magnitude rara — do tipo que ocorre uma vez por século — atingiram a Venezuela com apenas alguns segundos de intervalo, causando danos generalizados em La Guaira e matando pelo menos 1.943 pessoas, com muitas outras ainda desaparecidas.
Ninoska Gutierrez foi uma das pessoas que sobreviveram à devastação no Hotel Santuario.
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“Ficamos todos alarmados; na verdade, saí correndo descalça, vestindo apenas a parte de cima da roupa — quer dizer, não houve tempo para mais nada”, relatou ela à CNN.
“Quando abri a porta do quarto, vi uma multidão correndo… Eu estava correndo — tentando sair do caminho para deixá-los passar e não ser atropelada — quando a parede bem ao meu lado se partiu de repente; enquanto ela desmoronava, senti como se estivesse flutuando no ar.”
Gutierrez, de 45 anos, disse que conseguiu remover os escombros que haviam caído sobre suas pernas e saiu rastejando por um buraco que se abriu no teto.
Ela e vários outros deportados sobreviveram ao desabamento do hotel, mas muitos permanecem presos nos escombros.
Luis Armando Dasilva disse que ele e sua família aguardam ansiosamente por notícias de sua irmã, Amanda Donizete, que foi deportada na quarta-feira e de quem não se tem notícias desde então.
“Eles não estão nos dando respostas sobre onde ela está — se ela está em um hospital ou no necrotério. Já verificamos tudo isso e não a encontramos”, disse ele à CNN, referindo-se às autoridades locais.
Dasilva contou que Donizete estava trabalhando no estado americano da Geórgia após fugir da crise humanitária na Venezuela. Mas, quando soube que seria enviada de volta ao seu país, “ela ficou muito feliz e queria ver a família”.
Equipes de resgate têm vasculhado os escombros do hotel em uma tentativa desesperada de salvar possíveis sobreviventes. No entanto, dias após o desastre inicial, a esperança diminui.
Alguns familiares dos desaparecidos disseram à CNN que só querem poder sepultar dignamente seus entes queridos. “Por favor, vocês que estão aqui, ajudem-nos, ajudem-nos”, implorou José Gregorio Rincón Ávila, avô de um deportado.
“Estamos esperando há muitos dias. Já sabemos que esses corpos estão lá desde quarta-feira, mas, pelo menos, deixem-nos levar nossos entes queridos para casa”, disse ele à CNN.
Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos afirmou que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) não era responsável pelos deportados no momento em que os terremotos ocorreram.
“Este voo chegou em segurança à Venezuela, e todos os imigrantes em situação irregular a bordo foram repatriados. Quando um indivíduo não está mais sob custódia do ICE, o órgão deixa de ser responsável por ele”, disse o porta-voz.
O Departamento de Estado não quis comentar.
O voo de deportação de Miami para o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, na Venezuela, transportando 146 pessoas — incluindo 19 mulheres e 7 crianças —, pousou às 10h22 (horário local) de quarta-feira, segundo autoridades venezuelanas e o ICE Flight Monitor, uma iniciativa da organização Human Rights First que rastreia voos de deportação.
Os EUA enviaram equipes de busca e resgate à Venezuela e destinaram mais de US$ 300 milhões a esforços de assistência até o momento.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por poliannelima


