Acre conquista 2º lugar nacional em queda de homicídios, diz Atlas

Taxa de assassinatos recuou 45,6% entre 2019 e 2024; indicador coloca o estado na liderança da redução da criminalidade na região Nort

Por Fhagner Soares, ContilNet 08/07/2026 às 05:20
Levantamento nacional posiciona indicador acreano logo atrás de Sergipe/ Foto: Reprodução

O Acre consolidou-se como o segundo estado brasileiro com a maior redução proporcional na taxa de homicídios em um intervalo de cinco anos. De acordo com os dados oficiais do Atlas da Violência 2026, documento técnico divulgado conjuntamente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o indicador de violência letal em solo acreano despencou 45,6% no período compreendido entre os anos de 2019 e 2024.

O desempenho do Acre no combate aos crimes violentos intencionais ficou atrás apenas de Sergipe, que liderou a tabela nacional com um recuo de 46,2% nas mortes de base. No ordenamento geral do levantamento federal, o Acre superou estados como Goiás (-42,4%) e o vizinho amazônico Roraima (-39,3%), que obteve a quarta colocação na série histórica recente.

A performance acreana também manteve patamares elevados de retração nos recortes de curto prazo avaliados pelos pesquisadores do Ipea. No comparativo direto entre os balanços consolidados de 2023 e 2024, o Acre figurou no topo do ranking nacional de diminuição dos assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, servindo de barreira estatística para a desaceleração da violência na região Norte.

O estado superou os índices de Roraima, por exemplo, que no mesmo intervalo anual registrou uma redução de 16,5% (saindo de uma taxa de 36,3 para 30,3 mortes por 100 mil habitantes). Embora o relatório dedique análises volumosas às oscilações logísticas de Roraima — que encolheu seus números absolutos de 221 para 190 ocorrências estimadas —, o Acre firmou-se como a principal referência setorial da região em termos de declínio sistemático da letalidade urbana e rural.

O recuo expressivo do Acre ocorre em um momento de estabilização tímida dos índices nacionais de criminalidade. Em âmbito federal, a taxa estimada de homicídios no Brasil apresentou uma redução média de 8,2% entre 2019 e 2024, fixando-se em uma média nacional de 23,4 mortes por 100 mil habitantes.

Enquanto a porção ocidental da Amazônia Legal demonstrou sinais de retração nos conflitos, outras unidades federativas brasileiras registraram forte agravamento na segurança pública em cinco anos. Os maiores aumentos na taxa de homicídios do país foram concentrados no Ceará (+44,2%), seguido por Maranhão (+25,8%), Piauí (+22,3%), Minas Gerais (+16,4%) e pelo estado vizinho de Rondônia (+15,6%).

Os pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública alertam, contudo, que a diminuição dos registros oficiais de homicídios exige cautela analítica dos governos. O Atlas da Violência ressalta a existência de “homicídios ocultos”, calculados com base nas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). O avanço das MVCI em determinados estados da federação pode mascarar os dados reais de homicídios caso não haja um aperfeiçoamento contínuo dos institutos médico-legais e das perícias criminais estaduais para identificar com exatidão a causa das mortes.

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