18/09/2026

Alan Rick detalha plano de governo e promete mudanças estratégicas

Durante entrevista, candidato apresentou medidas para saúde, servidores, previdência, arrecadação, investimentos e combate à corrupção

Por Redação ContilNetAtualizado

Durante entrevista ao programa Central da Política, da TV Gazeta, o candidato ao Governo do Acre, Alan Rick (Republicanos), apresentou propostas para diferentes áreas da administração estadual e apontou como prioridades dos primeiros anos de uma eventual gestão a redução das filas na saúde, a valorização dos servidores públicos, o enfrentamento do déficit do Acreprevidência, o combate à corrupção e a recuperação da capacidade de investimento do Estado.

Na área da saúde, Alan afirmou que pretende realizar, nos primeiros 100 dias de governo, um grande mutirão para reduzir a fila de pacientes que aguardam consultas, exames e cirurgias. A proposta, segundo ele, seria acompanhada de uma reorganização do Fundo de Saúde. Durante a entrevista, no entanto, o candidato não detalhou o número de pacientes que seriam atendidos, as especialidades envolvidas ou o período de duração da mobilização.

“A gente tem esse grave problema do pronto-socorro e de gente esperando consulta, exame e cirurgia. Temos que fazer um grande mutirão de atendimento na saúde e organizar o Fundo de Saúde”, declarou.

O candidato também defendeu uma reestruturação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), com médicos, equipamentos e salas destinadas a casos de menor complexidade. A intenção é evitar que pacientes que poderiam ser atendidos nessas unidades sejam encaminhados ao pronto-socorro de Rio Branco.

“Se eu tenho uma UPA requalificada, com sala amarela, evito que aquele paciente vá para o pronto-socorro”, explicou.

Outra proposta apresentada foi colocar os hospitais regionais em funcionamento, com o objetivo de reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes do interior para a capital. Alan também questionou a situação de unidades que, segundo ele, ainda não funcionam plenamente, entre elas a nova maternidade de Rio Branco e hospitais do interior.

Para a capital, o candidato apresentou ainda a construção de um hospital metropolitano com mais de 300 leitos e estrutura de terapia intensiva. A unidade concentraria os atendimentos de urgência e emergência atualmente realizados no pronto-socorro.

“É um sonho, mas a gente vai buscar realizar esse sonho”, disse.

Dentro dessa proposta, Alan afirmou que pretende transformar o atual prédio do pronto-socorro em um hospital universitário, por meio de uma parceria com a Universidade Federal do Acre (Ufac). Segundo ele, a instituição ficaria responsável pelas adequações necessárias e utilizaria o espaço tanto na formação de profissionais quanto no atendimento à população.

A valorização do funcionalismo público também aparece entre as prioridades apresentadas pelo candidato. Alan afirmou que pretende abrir, ainda no primeiro ano de governo, negociações sobre salários e Planos de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCRs), além de estabelecer uma política permanente de diálogo e qualificação dos servidores.

“Nós queremos cuidar bem do servidor. O servidor motivado trabalha bem. Vamos chamar todo mundo para negociar”, afirmou.

Segundo Alan, a melhoria dos serviços públicos está diretamente relacionada às condições de trabalho e à remuneração das categorias. Ele também reconheceu que a situação financeira do Estado limita a capacidade de atender às reivindicações do funcionalismo.

Conforme os números apresentados pelo candidato durante a entrevista, o orçamento do Acre chega a R$ 13,8 bilhões, enquanto apenas R$ 200 milhões estariam disponíveis para investimentos. Alan citou ainda a queda da classificação do Estado na Capacidade de Pagamento (Capag) como um obstáculo para a contratação de empréstimos e financiamentos.

No caso do Acreprevidência, Alan estimou que o déficit previdenciário tenha chegado a R$ 924 milhões e colocou a redução desse desequilíbrio entre as prioridades de uma eventual gestão. A proposta é buscar medidas que diminuam a diferença entre as receitas e as despesas do sistema e enfrentar a situação de aposentados e pensionistas.

“O rombo é gigante e o próximo governo vai ter que enfrentar e encontrar uma maneira de reduzir esse déficit”, declarou.

Para ampliar a capacidade financeira do Estado, o candidato defendeu o aumento da arrecadação sem elevação de impostos. A estratégia também envolve preparar o Acre para a transição entre o atual sistema tributário e o modelo criado pela reforma tributária, com a CBS e o IBS.

“O grande desafio do governo é aumentar a arrecadação sem aumentar impostos. Ninguém aguenta mais imposto”, declarou.

Alan afirmou que a recuperação da liquidez e o aumento da arrecadação seriam necessários para ampliar a capacidade de investimento, cumprir as obrigações previdenciárias e atender às demandas dos servidores públicos.

Como parte dessa estratégia, o candidato propôs uma política ativa de prospecção de empresas e investimentos. A ideia é oferecer condições de infraestrutura, conectividade e segurança para atrair empreendimentos ao Estado, além de criar estruturas específicas para a captação de investimentos.

“O Estado tem que ter seus escritórios, agência de captação de investimentos”, defendeu.

Entre os setores citados por Alan estão as cadeias do açaí, café, farinha e agricultura familiar. A proposta é estimular a instalação de agroindústrias, ampliar a produção, gerar empregos e movimentar a economia local.

Durante a entrevista, ele mencionou como exemplo uma indústria de açaí instalada em Feijó com recursos privados de aproximadamente R$ 8 milhões. Segundo Alan, os empresários apontaram a melhoria das estradas e do acesso à internet como condições necessárias para ampliar a produção.

A recuperação da capacidade de investimento também foi associada pelo candidato ao combate à corrupção. Alan afirmou que pretende realizar auditorias nas secretarias e fortalecer a Delegacia de Combate à Corrupção, além de melhorar as condições da Polícia Civil para ampliar as investigações.

“A gente vê muita obra paralisada. A corrupção paralisou diversas obras no Estado, e é essa chaga que nós temos que combater”, declarou.

Na formação da equipe de governo, Alan afirmou que pretende aliar articulação política e conhecimento técnico, estabelecendo critérios de conduta para os ocupantes de cargos de direção. Segundo ele, integrantes da administração que forem suspeitos de irregularidades poderão ser afastados enquanto os fatos são investigados.

“Secretário e diretor nosso vão ser gente séria, gente honesta”, afirmou.

“Se cometer um deslize, a gente afasta e investiga. Se for culpado, vai pagar a conta. Se for inocente, retorna”, explicou.

O candidato citou as operações Mitocôndria, Ptolomeu, Talha Real e Death Note ao defender maior fiscalização sobre contratos públicos. Também criticou o uso frequente de adesões a atas de registro de preços, conhecidas como “caronas”, e propôs a formação de uma equipe qualificada para atuar nas áreas de convênios, licitações e acompanhamento de contratos.

“O Acre não pode se acostumar com esse modelo de corrupção institucionalizada e achar que é normal. Não é normal”, declarou.

Ao longo da entrevista, Alan afirmou que as diferentes medidas estão relacionadas à necessidade de recuperar a capacidade financeira do Estado. Na avaliação apresentada por ele, o aumento da arrecadação, a atração de investimentos, o combate ao desperdício de recursos e a reorganização das contas poderiam abrir espaço para investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura, além do atendimento às demandas do funcionalismo e do sistema previdenciário.

A entrevista foi conduzida pelo jornalista Adailson Oliveira e contou com a participação do jornalista Leonildo Rosas.

Conteúdo Original / Fonte: Ascom

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