O atirador que abriu fogo em uma das duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, transmitiu o ataque ao vivo no Facebook.No vĂdeo, ele se identifica como Brenton Tarrant, um australiano de 28 anos. Pelo menos 49 pessoas morreram e 20 ficaram feridas, 12 em estado grave, em ataques realizados nesta sexta-feira em mesquitas da cidade de Christchurch.
O homem levava uma câmera presa em sua cabeça que lhe permitia transmitir não apenas os assassinatos, mas também os momentos anteriores ao atentado, como o interior do carro que ele dirigia e o arsenal de armas preparado para o massacre.

Brenton Tarrant transmitiu ataques ao vivo/Foto: BBC News Brasil
SĂŁo 17 minutos de vĂdeo que registram o momento em que ele chega Ă mesquita Al Noor e abre fogo contra as pessoas.
“Eliminamos rapidamente o vĂdeo e as contas do atacante no Facebook e no Instagram”, disse a rede social em um comunicado.
A conta do Twitter @brentontarrant também foi encerrada.
As autoridades da Nova Zelândia pediram que o material não fosse compartilhado na internet.
Manifesto na internet
Em um manifesto de 74 páginas publicado na conta no Twitter registrada em nome de Brenton Tarrant ele se descreve como um “homem branco comum, de uma famĂlia normal que decidiu defender uma posição para garantir o futuro de seu povo”, diz ele.

Brenton Tarrant abriu fogo contra mesquita Al Noor/Foto: Reuters / BBC News Brasil
O texto tambĂ©m qualifica os imigrantes como “um grupo de invasores” que “querem ocupar as terras de meu povo e nos substituir etnicamente”.
Alguns trechos do manifesto aludem Ă “teoria da substituição” que circula entre os grupos de extrema direita.
Seu objetivo não deixa dúvidas: atacar os muçulmanos.
“Eles sĂŁo o grupo mais odiado de invasores no Ocidente, atacá-los terá o maior nĂvel de apoio.”
AlĂ©m disso, ele afirma que ao matar esses “invasores”, poderia acabar com a “superpopulação e, assim, salvar o meio ambiente”, diz ele, definindo-se como um “ecofascista”. Ele tambĂ©m disse que foi inspirado por Anders Breivik, o extremista de extrema direita que matou 77 pessoas na Noruega em 22 de julho de 2011.
Nas imagens do Facebook, Ă© possĂvel ver uma das armas usadas mais tarde nos ataques da mesquita de Christchurch.
O rifle aparece coberto com letras brancas, com os nomes de outros atiradores e figuras militares histĂłricas que no passado realizaram chacinas motivadas por raça ou religiĂŁo e evitaram invasões em seus paĂses.
As frases sĂŁo escritas em cirĂlico, armĂŞnio e georgiano.
Elas fazem referĂŞncia tambĂ©m a personagens e eventos da histĂłria recente. É possĂvel ler a frase: “Aqui está seu pacto de migração”, informou a agĂŞncia de notĂcias Reuters.
O nĂşmero “14” foi escrito ao lado do rifle como uma referĂŞncia Ă s “quatorze palavras”, um conhecido mantra da supremacia branca.
Em pronunciamento apĂłs os ataques, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Adern, condenou os atentados com rigor, dizendo que os atingidos eram “neozelandeses como todos nĂłs, ao contrário dos atiradores terroristas, que nĂŁo pertencem ao nosso paĂs.” Ela lembrou que muito provavelmente muitas das vĂtimas eram imigrantes que tinham escolhido a Nova Zelândia fugindo de conflitos para viver em paz.

Há pelo menos 20 feridos, incluindo crianças e idosos/Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Australiano com quase 30 anos
As autoridades da Nova Zelândia informaram que uma pessoa foi formalmente acusada de homicĂdio: um australiano com quase 30 anos de idade. No entanto, seu nome nĂŁo foi divulgado.
Algumas horas apĂłs o massacre, o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, descreveu o detento como um “violento terrorista de direita”.
Outras três pessoas foram presas. Acredita-se que um deles não tenha ligação com os ataques, enquanto os outros dois permanecem sob investigação.

