A criança indĂgena de 11 anos da etnia Kaiowá, que foi assassinada ao ser jogada de um penhasco apĂłs sofrer estupro coletivo na aldeia BororĂł, no municĂpio de Dourados (MS), já sofria há anos abusos sexuais cometidos pelo tio, segundo a polĂcia. Ele foi preso por suspeita de participar do crime, ocorrido na madrugada de segunda-feira (8).
O homem relatou durante depoimento prestado Ă polĂcia que já abusava sexualmente da menina anteriormente. AtĂ© agora, oito pessoas foram ouvidas pela PolĂcia Civil de Mato Grosso do Sul.
Cinco investigados pelo crime foram detidos em flagrante – trĂŞs sĂŁo adolescentes e dois sĂŁo adultos, sendo um dos adultos o tio da menina. TrĂŞs adolescentes foram apreendidos e estĂŁo internados provisoriamente na UNEI (Unidade de Internação Masculina) Laranja Doce, em Dourados. Os dois adultos estĂŁo na carceragem do presĂdio estadual de Dourados. Eles devem passar por audiĂŞncia de custĂłdia ainda hoje.
O delegado Erasmo Cubas, coordenador do Setor de Investigações Gerais e responsável por investigar o crime, contou que o tio da menina admitiu os abusos anteriormente ao estupro coletivo. A suspeita é que os abusos iniciaram quando ela foi morar na casa da avó, onde o tio reside, aos cinco anos de idade.
“Ele contou que já vinha abusando sexualmente da menina, mas nĂŁo disse há quanto tempo o crime vinha sendo cometido”, disse o delegado. Os pais da menina tĂŞm destino incerto e nĂŁo sabido e, segundo a polĂcia, os integrantes da aldeia tem problemas interpessoais.
Cubas destacou que o crime foi elucidado no mesmo dia, com apoio de lideranças indĂgenas que repassaram informações importantes para a polĂcia chegar aos supostos autores. AtĂ© agora, oito pessoas foram ouvidas pela polĂcia e outras devem ser intimadas a depor nos prĂłximos dias.
O delegado disse que lideranças relataram que a menina foi vista pela última vez no quintal da casa que ela morava, com dois adolescentes que mantinha amizade.
“Inicialmente, eles falaram que eles estavam com ela e nada mais, e atribuĂram o crime a outras pessoas. Mas, durante interrogatĂłrio, eles entraram em contradições e acabaram confessando. Eles contaram que um homem pagou R$ 100 para eles arrastarem a vĂtima atĂ© o local onde ocorreu o crime”, disse o delegado, destacando que estavam no local um homem e um adolescente aguardando os outros dois adolescentes levarem a criança.
Depois, ao notar o desaparecimento da sobrinha, o tio saiu Ă procura e, segundo a polĂcia, o homem a encontrou sendo estuprada e resolveu participar do crime sexual.
O delegado relatou que os investigados contaram que deram cachaça à menina durante a série de estupros e que ela desfaleceu, mas que, em determinado momento, ela tornou a consciência e teria reconhecido os homens. Os suspeitos do crime afirmaram que decidiram jogar a criança de um penhasco de cerca de 20 metros para ocultar o crime.
O corpo da garota foi encontrado ontem. O corpo da indĂgena foi submetido Ă necropsia no Instituto MĂ©dico Legal de Dourados. O exame confirmou o estupro e que a morte foi causada pela queda do penhasco. O laudo detalhado Ă© esperado para os prĂłximos dias.
ApĂłs os procedimentos na delegacia de Dourados, os investigados foram encaminhados para unidades prisionais. A PolĂcia Civil pediu que a prisĂŁo em flagrante seja convertida em prisĂŁo preventiva, como tambĂ©m as apreensões dos menores se tornem internações preventivas. A Justiça decidirá hoje se acata o pedido da polĂcia ou se os investigados responderĂŁo pelo crime em liberdade provisĂłria.
O delegado Erasmo Cubas informou ao UOL que todos os investigados serĂŁo indiciados ao final do inquĂ©rito pelos crimes de feminicidio, homicĂdio qualificado por ocultação de crime e estupro de vulnerável. AtĂ© agora, nenhum advogado se apresentou para fazer a defesa deles, e eles devem ser assistidos por um defensor pĂşblico.


