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Em Cruzeiro do Sul, PF cumpre mandado contra desvios em contratos de laboratório

Por Fhagner Soares, ContilNet 29/06/2026 às 12:09
Em Cruzeiro do Sul, PF cumpre mandado contra desvios em contratos de laboratório

Fraudes em cartas convite e dispensas ocorreram em contratos entre 2018 e 2021/ Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou a Operação Convite Dirigido com o objetivo de desarticular uma associação criminosa suspeita de fraudar procedimentos licitatórios e desviar verbas públicas no município de Guajará, no interior do Amazonas. A ação de campo ocorreu na última quinta-feira (25) com o cumprimento de ordens judiciais expedidas pela Justiça Federal.

As ordens de busca e apreensão foram executadas no município acreano de Cruzeiro do Sul, polo logístico e operacional de empresas e pessoas de interesse da apuração. De acordo com o relatório da corporação, o foco do inquérito é colher novas evidências para delimitar a responsabilidade penal dos envolvidos em contratos firmados pela administração pública amazonense.

A investigação aponta que as irregularidades ocorreram em contratos celebrados entre os anos de 2018 e 2021. O esquema operava por meio do direcionamento ilegal de certames públicos nas modalidades de carta convite, pregão eletrônico e dispensa de licitação, beneficiando previamente um grupo restrito de pessoas físicas e empresas parceiras.

Os peritos criminais identificaram que a prefeitura realizava repasses financeiros a fornecedores antes mesmo da conclusão formal dos trâmites burocráticos das licitações. Para os investigadores, os pagamentos antecipados comprovam a existência de simulação de concorrência no mercado, uma vez que os vencedores já estavam definidos antes da abertura das propostas.

Além do favorecimento contratual, a fiscalização detectou indícios severos de superfaturamento em contratos voltados à locação de equipamentos de laboratório médico. A análise técnica de fluxo bancário revelou também movimentações financeiras atípicas e incompatíveis com a receita declarada dos alvos.

A suspeita da Polícia Federal é de que as contas bancárias corporativas e de terceiros eram utilizadas para práticas de ocultação e dissimulação de valores, configurando o crime de lavagem de dinheiro com recursos de origem ilícita.

Caso as suspeitas sejam confirmadas ao término do inquérito, os investigados poderão ser indiciados pelos crimes de fraude à licitação, associação criminosa e ocultação de bens, cujas penas somadas podem ultrapassar dez anos de reclusão.

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