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Empresários ligados à empresa que administrou hospital no Acre são presos

Por Redação ContilNet 15/04/2026 às 15:07

Investigações tiveram início a partir de auditorias da CGU/Foto: Reprodução/PF

Empresários ligados à empresa Mediall Brasil, responsável pela gestão do hospital de campanha montado no Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into), em Rio Branco, durante a pandemia de Covid-19, foram presos nesta quarta-feira (15) durante uma operação da Polícia Federal.

Entre os alvos estão Roberto Leandro, que integra a Mediall Brasil, além de Hilton Rinaldo Salles Piccelli e Rudson Teodoro da Silva, ambos presos. Também foi alvo da operação Otávio Guimarães Favoreto, ligado à Lifecare, mas que, segundo apurações, teria conexões com o grupo Mediall.

A Mediall firmou contrato com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) ainda no período da pandemia para administrar o hospital de campanha instalado no Into. À época, a unidade chegou a contar com 40 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 100 leitos de enfermaria.

Para funcionamento da estrutura, cerca de 660 profissionais foram contratados, entre médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, farmacêuticos, bioquímicos, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais.

Durante a vigência do contrato, médicos que atuaram na unidade sob gestão da Mediall denunciaram atrasos salariais que chegaram a seis meses.

Contudo, o contrato firmado entre a Mediall e a Sesacre não foi alvo das investigações das operações deflagradas nesta quarta-feira.

Operação investiga corrupção e desvio de recursos

A ação que resultou nas prisões faz parte de duas operações deflagradas pela Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e com apoio do Gaeco do Ministério Público Federal em Goiás.

As investigações apuram crimes de corrupção ativa e passiva, peculato-desvio, lavagem de dinheiro, além de irregularidades em processos licitatórios, com suspeitas de direcionamento e simulação de concorrência. Ao todo, estão sendo cumpridos 50 mandados judiciais.

Uma das ações, denominada Operação Makot Mitzrayim, cumpre 18 mandados de busca e apreensão nos estados de Goiás, Tocantins e Maranhão. O foco é apurar desvios de recursos públicos por meio de contratos realizados por organizações sociais que atuaram em Goiás, com indícios de superfaturamento de serviços e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos responsáveis pela fiscalização.

VEJA TAMBÉM: Polícia deflagra operação contra organizações criminosas em Rio Branco

Já a Operação Rio Vermelho cumpre 28 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva. As diligências ocorrem em Goiânia, Brasília e São José do Rio Preto e investigam suspeitas de irregularidades na gestão de recursos destinados ao enfrentamento da pandemia em hospital de campanha administrado por organização social.

Segundo a PF, as investigações tiveram início a partir de auditorias da CGU e identificaram indícios de que a estrutura da organização social teria sido utilizada para viabilizar lucros indevidos por meio de contratações custeadas com recursos públicos.

Também foram apontadas possíveis irregularidades nos processos de seleção de empresas prestadoras de serviços, com indícios de direcionamento e simulação de concorrência, além de vínculos entre dirigentes e empresas contratadas, o que pode indicar favorecimento indevido.

As apurações ainda indicam contratações voltadas à maximização de margens, com possível precarização das relações de trabalho por meio de estruturas consideradas simuladas.

A Mediall enviou uma nota pública acerca dos desdobramentos das operações. Leia na íntegra abaixo:

NOTA PÚBLICA

A Mediall Brasil informa sobre os desdobramentos das operações conduzidas pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União nesta semana. 

Desde o primeiro momento, a empresa reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a conformidade em todas as suas operações, colocando-se
integralmente à disposição das autoridades competentes para colaborar com os esclarecimentos necessários.

No âmbito das investigações, destaca-se que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu habeas corpus aos diretores envolvidos, determinando a
REVOGAÇÃO DAS PRISÕES E A CONCESSÃO DA LIBERDADE. A decisão reconhece, em análise preliminar, a desproporcionalidade das medidas adotadas, especialmente diante da ausência de elementos concretos e contemporâneos que justificassem a manutenção das prisões.

A Mediall Brasil recebe essa decisão com serenidade e confiança, entendendo que ela reafirma a necessidade de que os fatos sejam apurados com equilíbrio,
responsabilidade e estrita observância das garantias legais.

A empresa reitera que seus diretores e sua atuação institucional sempre estiveram pautados pela legalidade, pela ética e pela transparência, e confia que, ao longo do processo, será plenamente demonstrada a inexistência de qualquer irregularidade ou responsabilidade criminal relacionada às atividades desenvolvidas.

Paralelamente, a Mediall Brasil mantém sua postura de total colaboração com as autoridades competentes, colocando-se à disposição para todos os esclarecimentos necessários ao adequado andamento das investigações.

A empresa ressalta que suas operações seguem em plena normalidade em todos os contratos vigentes, sem qualquer interrupção dos serviços prestados. As atividades assistenciais e administrativas continuam sendo executadas com responsabilidade, qualidade e compromisso com a população atendida, bem como com os entes públicos contratantes e parceiros institucionais.

A Mediall Brasil seguirá acompanhando o caso com responsabilidade institucional, mantendo seus colaboradores, parceiros e a sociedade informados por meio de seus canais oficiais.

A Mediall Brasil segue firme em seu propósito de contribuir para a gestão e o fortalecimento dos serviços de saúde, com responsabilidade institucional e respeito às normas legais.

Mediall Brasil

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