Ex-diretora de presĂ­dio teve romance com detento e facilitou fuga de 16 presos

Caso ocorreu em Eunápolis, no extremo sul da Bahia, em dezembro do ano passado

Por G1 04/07/2025 Ă s 13:23
Ex-diretora de presídio teve romance com detento e envolvimento com facções na Bahia. Foto: Reprodução

A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, Joneuma Silva Neres, é acusada pelo Ministério Público do estado (MP-BA) de corrupção, envolvimento com facções criminosas e de ter se relacionado com um interno do presídio.

Ex-diretora de presídio teve romance com detento e envolvimento com facções na Bahia. Foto: Reprodução

As informações estão no processo ao qual a TV Bahia obteve acesso com exclusividade e detalhou no BATV desta quinta-feira (3), quase sete meses após a fuga em massa de 16 detentos da unidade prisional. A policial penal, de 33 anos, foi indiciada por facilitar a ação criminosa.

A situação ocorreu em dezembro do ano passado e, até esta quinta-feira, nenhum dos homens foi recapturado. Apenas um deles foi encontrado, em janeiro deste ano, no entanto, resistiu e morreu em confronto com policiais civis.

Além de Joneuma, outras 17 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do estado (MP-BA). Entre elas, Wellington Oliveira Sousa, ex-coordenador de segurança do presídio, cargo de confiança da ex-diretora. Os dois estão presos.

Joneuma esteve à frente a unidade por nove meses e foi a primeira mulher a ocupar este tipo de cargo no estado. No entanto, apesar da representatividade, o que veio à tona após as prisões revela que o conjunto penal estava sob comando do crime organizado.

O processo mostra que, desde que assumiu o cargo, em março de 2024, a gestora chamou a atenção das autoridades, especialmente pelas regalias dadas aos presos. Segundo informações presentes no documento, ela autorizou a entrada irregular de roupas, freezers, ventiladores e sanduicheiras.

O ex-coordenador de segurança da unidade foi uma das pessoas que revelaram as irregularidades. Em um dos depoimentos, Wellington contou que Joneuma atendia a diversas exigências feitas, principalmente, por Ednaldo Pereira de Souza, o Dadá, um dos fugitivos.

O homem apontado pela polícia como chefe de uma facção de Eunápolis, que é ligada a outro grupo criminoso do Rio de Janeiro (RJ). Ele estava preso na unidade penal até o dia 12 de dezembro, quando aconteceu a fuga em massa.

Entre as regalias apontadas no depoimento, está o acesso de visitas. Wellington disse que a esposa de Dadá “passou a ingressar no conjunto penal, sem qualquer inspeção, mediante autorização da diretora”.

Outros relatos indicaram ainda que Joneuma e Dadá viveram um relacionamento amoroso, com relações sexuais, dentro do presídio.

Esse detalhe nĂŁo foi relatado pelo ex-coordenador de segurança da unidade prisional, mas Wellington mencionou que Joneuma e Dadá tinham “encontros frequentes, que ocorriam na sala de videoconferĂŞncias, sempre a sĂłs, com uma folha de papel ofĂ­cio obstruindo a visibilidade da porta pela abertura de vidro”.

O homem disse tambĂ©m que “as reuniões eram sigilosas e geravam estranheza entre os funcionários devido Ă  regularidade e longa duração”.

Quando foi presa, no dia 24 de janeiro deste ano, Joneuma estava grávida. O bebê nasceu prematuro e segue com ela na cela, no Conjunto Penal de Itabuna, no sul do estado.

Em entrevista à TV Bahia, Jocelma Neres, irmã e advogada de Joneuma, nega a existência de um caso entre ela e Dadá.

“A gente nĂŁo sabe quem foi que articulou tudo isso, mas ela está sofrendo as consequĂŞncias de um crime que nĂŁo cometeu. Ela nunca teve nenhum relacionamento com essa pessoa”, afirmou.

A advogada tambĂ©m destaca a preocupação com o fato de o sobrinho ainda estar no presĂ­dio com a mĂŁe. “O presĂ­dio nĂŁo Ă© ambiente para uma criança recĂ©m-nascida e a famĂ­lia está desesperada, sem ter o que fazer. A gente nĂŁo tem condições de estar lá com ela, pelo fato de ser uma cidade longe, e nĂŁo ter recursos financeiros para estar lá”, desabafou.

Já o advogado Artur Nunes, que tambĂ©m representa Joneuma, explicou por que alguns benefĂ­cios eram concedidos aos detentos. “Dentro de uma unidade prisional, a gente entende, vive muito de negociação, no sentido de manter, ao máximo, a ordem da unidade prisional, evitar problemas, [evitar] que conflitos entre eles ocorram”, disse.

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