A Polícia Civil prendeu em flagrante, na tarde desta quarta-feira (16), L.R.S.B., de 24 anos, durante uma operação que investiga a implantação de um loteamento clandestino e possíveis danos ambientais em Epitaciolândia, no interior do Acre.
A ação teve início após investigadores receberem informações do Núcleo de Inteligência do Alto Acre sobre a possível instalação irregular de um empreendimento no Ramal Fontenelle De Castro, na região central do município, próximo à Escola Belo Porvir e ao estabelecimento Japa Som.
No imóvel, os policiais encontraram indícios de que a área estaria sendo preparada para a comercialização de terrenos. Conforme a investigação, ruas já haviam sido abertas e os lotes estavam demarcados com aproximadamente 10 metros de largura por 30 metros de comprimento.

L.R.S.B. foi preso em flagrante durante a fiscalização realizada pela Polícia Civil em Epitaciolândia.
A fiscalização também revelou alterações na vegetação existente às margens de um igarapé que atravessa a propriedade. Os investigadores identificaram sinais de derrubada de mata ciliar e modificações que, segundo a Polícia Civil, podem ter interferido no curso natural do manancial.
Enquanto a equipe realizava fotografias e levantava informações sobre a área, L.R.S.B. chegou ao local acompanhado de um homem que seria um possível interessado na compra de um dos terrenos.
Questionado pelos investigadores, L.R.S.B. teria afirmado ser o proprietário da área. No entanto, de acordo com a Polícia Civil, ele não apresentou licença ambiental nem documentação que autorizasse a implantação ou comercialização do loteamento.
O homem que acompanhava o suspeito deixou o local antes de ser identificado pelos policiais.

Perícia técnica deverá avaliar os possíveis danos à vegetação e ao igarapé que atravessa a propriedade/Foto cedida
Suspeito permaneceu em silêncio
Após os elementos encontrados durante a fiscalização, L.R.S.B. recebeu voz de prisão e foi levado para a Delegacia Geral de Polícia Civil de Epitaciolândia.
Segundo a corporação, a condução ocorreu sem o emprego de algemas e o preso não apresentava lesões corporais.
Durante o interrogatório, acompanhado por advogado constituído, L.R.S.B. optou por permanecer em silêncio, exercendo o direito constitucional de não responder às perguntas.
A Polícia Civil informou ainda que L.R.S.B. possui uma passagem anterior por receptação. Consultas aos sistemas de segurança também teriam apontado registros em Mato Grosso relacionados a investigações por suposto estelionato envolvendo negociações de imóveis, furto de energia elétrica e receptação.
Os registros e investigações mencionados pela Polícia Civil não significam, por si só, que tenha havido condenação pelos fatos.
Perícia deve apontar extensão dos danos
O flagrante foi formalizado pelo delegado Erick Ferreira Maciel, que ratificou a prisão e determinou a realização de perícia técnica na área.
O objetivo é identificar a extensão da vegetação que teria sido destruída e avaliar os possíveis danos provocados à Área de Preservação Permanente (APP), além das alterações feitas no igarapé.
De acordo com a autoridade policial, considerando a natureza dos crimes investigados e as penas máximas previstas, que somadas ultrapassam quatro anos, não foi arbitrada fiança na delegacia.
L.R.S.B. permanece custodiado e à disposição da Justiça, que deverá decidir sobre os próximos procedimentos relacionados ao caso.
