Em uma entrevista exclusiva ao site ContilNet, um homem que mora próximo ao complexo penitenciário Francisco de Oliveira Conde (FOC), que não quis se identificar, relatou detalhes dos momentos de terror que passou com a sua esposa e uma filha de 2 anos, ao saírem para a escola por volta das 18h, momento em que começou uma rebelião no presídio.
Como é que foi o tiroteio próximo a sua residência?
Foi uma noite de terror! Por volta das 18h eu estava saindo para aula com a minha esposa e nossa filha de 2 anos, mas não conseguimos chegar até a escola, devido o tumulto de veículos e viaturas da polícia passando muito rápido em direção ao FOC. Então nós ficamos alguns instantes em uma rádio que fica próxima à penal, porque moramos perto e ficamos lá para nos proteger, eram muitos estrondos de tiros, dava pra ouvir perfeitamente. Nunca tinha visto isso na minha vida, parecia uma guerra, não era de tiro de arma pequena não, era tiro de armas de grosso calibre.
E na hora em que vocês estava na rua, no meio de todo esse terror, como se sentiram?
Foi um ‘Deus nos acuda’. Minha esposa começou a chorar muito com a criança e a gente sem saber o que fazer, as viaturas passando ‘pra lá e pra cá’ e em cima da penal tinha uma nuvem de fumaça muito grande, parecia uma guerra.
Durou mais ou menos quanto tempo o tiroteio?
Acho que durou em torno de 1 hora e meia a 2 horas, foi muito tiro, muito terror, a estrada da penal ficou interditada, sem poder chegar em casa e a gente ficou à mercê da sorte. Graças a Deus tinha essa torre de uma rádio próxima, o vigia abriu e a gente se protegeu lá dentro.
Como foi que amanheceu lá nas proximidades da penal hoje, você viu muitos parentes de preso passando?
Sim, familiares de detentos na frente da penal, muita gente preocupada, pessoas com filhos lá dentro, esposas, mães e filhos dos detentos. Muita gente na frente da penal, uma movimentação muito grande.
O que você espera que aconteça agora?
A gente espera que as autoridades tomem providências duras e consigam conter essa guerra no Estado do Acre. Porque a gente nunca vivenciou algo tão grandioso em um Estado pequeno, e agora está acontecendo uma coisa nesse porte.
