Áudios revelam como policiais embalavam drogas do Acre para facções

Conversa entre suspeitos cita atuação de facção criminosa no envio e distribuição de entorpecentes

Por Redação ContilNet 19/07/2026 às 09:49
Durante uma investigação da Polícia Civil da Paraíba revelou uma possível ligação entre o Acre e um esquema de tráfico de drogas. /Foto: Reprodução

A análise de mais de 40 mil áudios apreendidos durante uma investigação da Polícia Civil da Paraíba revelou uma possível ligação entre o Acre e um esquema de tráfico de drogas investigado no estado nordestino. As conversas fazem parte das provas reunidas na Operação Perfídia, que resultou na prisão do delegado Braz Morroni, de dois agentes da Polícia Civil e de outros suspeitos apontados como integrantes de uma organização criminosa.

Entre os conteúdos analisados pelos investigadores estão diálogos atribuídos ao policial civil Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, apontado como uma das principais peças do grupo. Em uma das conversas, ele afirma que uma carga de drogas teria sido enviada do Acre por integrantes da facção criminosa Família do Norte.

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O diálogo ocorreu em 12 de novembro de 2025, mesma data em que Everton teria recebido R$ 62 mil em depósitos feitos em espécie e sem identificação dos responsáveis pelos pagamentos. Conforme a investigação, a movimentação financeira chamou a atenção das autoridades e passou a ser comparada com informações extraídas de aparelhos eletrônicos apreendidos.

A Operação Perfídia investiga suspeitas de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. /Foto: Jornal da Paraíba

Em uma conversa com José Alexandrino de Lira Júnior, outro investigado no esquema, Everton comenta sobre a origem dos entorpecentes e relata que, ao chegarem à Paraíba, as drogas recebiam novas embalagens de acordo com o grupo criminoso responsável pela distribuição.

“Essas vieram lá do Acre, daquela Família do Norte. Eles ficavam mandando pra cá, aí vinha só com essas embalagens transparentes. O cara da Okaida queria, ele enrolava de fita amarela. O cara do Comando Vermelho queria e ele enrolava de fita vermelha”, afirma o policial no áudio.

Outras gravações também apontam que Everton teria participado da distribuição de drogas para pessoas ligadas ao esquema. Em uma delas, ele menciona uma entrega para um indivíduo identificado como “Dudu” e relata que parte do material teria sido utilizada como forma de pagamento para informantes.

A investigação aponta ainda que o grupo adotava estratégias para controlar a circulação dos entorpecentes e influenciar os valores de venda. Em um dos áudios, Everton fala sobre manter uma quantidade de droga armazenada para ser colocada no mercado posteriormente e cita a necessidade de discutir a decisão com outros integrantes da organização, incluindo o delegado Braz Morroni.

Além das conversas, os investigadores identificaram uma movimentação financeira considerada incompatível. Segundo a apuração, Everton recebeu R$ 198.950 em depósitos realizados em dinheiro e sem identificação entre outubro de 2025 e janeiro de 2026.

A Operação Perfídia investiga suspeitas de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Segundo a Polícia Civil da Paraíba, o grupo teria utilizado a estrutura policial para favorecer atividades criminosas, incluindo o desvio de entorpecentes apreendidos e o repasse de dados de investigações.

Durante a ação, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões pertencentes aos investigados.

Além de Braz Morroni e Everton Aires, foi preso o agente Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, suspeito de atuar no monitoramento de carregamentos, ocultação de drogas e participação no desvio de entorpecentes.

Também são investigados João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza, o “Galinha”, José Alexandrino de Lira Júnior, Vanessa Dantas Fernandes e Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”. Este último não havia sido localizado até a última atualização da investigação.

O caso continua sendo apurado pelas autoridades, que buscam esclarecer a atuação de cada suspeito e identificar possíveis conexões da organização criminosa em outros estados.

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