Laudo identifica transtorno bipolar ‘em fase manĂ­aca psicĂłtica’ em mulher flagrada com sem-teto

Por GLOBO.COM 28/03/2022 Ă s 20:55
O personal chuta o morador de rua, que está caído no chão Foto: Reprodução

Um laudo elaborado por médicos do Hospital Universitário de Brasília conclui que a comerciante Sandra Mara Fernandes, de 33 anos, apresenta sinais de “transtorno afetivo bipolar em fase maníaca psicótica”. A mulher está internada há pouco menos de 20 dias, desde que foi flagrada pelo marido, o personal trainer Eduardo Alves de Sousa, de 31 anos, fazendo sexo com o sem-teto Givaldo de Souza, de 48, dentro do próprio carro, no último dia 9, em Planaltina (DF). O morador de rua acabou espancado por Eduardo, e o caso, flagrado por câmera de segurança, gerou grande repercussão. A advogada Auricelia Vieira de Souza, que representa o casal, não quis antecipar se o fato pode ser usado para reforçar a tese de que o homem, que vivia há anos na rua, teria se aproveitado do estado de fragilidade de Sandra.

— Seria leviano a gente antecipar qualquer tese. NĂłs confiamos no trabalho da polĂ­cia. É uma análise multidisciplinar. Nossa atuação Ă© humanizada, graças a Deus. Em torno da violĂŞncia sexual, há uma Ăłrbita de teses que podem ser exploradas, um aspecto por si sĂł nĂŁo pode tratado como palavras ao vento —  diz a advogada, afirmando que, ao dar entrada no hospital, logo apĂłs o ocorrido, Sandra estava em choque e recebeu tratamento especĂ­fico para vĂ­timas de vioilĂŞncia sexual, entre eles, o profilaxia para pĂłs-exposição ao HIV.O documento, de acordo com a advogada, foi feito para atender a parâmetros mĂ©dicos e jurĂ­dicos, porque nele se baseia o argumento de que Sandra pode ser representada pelo marido perante a Justiça. O relatĂłrio mĂ©dico detalha que a comerciante, desde que deu entrada no hospital, apresenta alucinações auditivas, “delĂ­rios grandiosos e de temática religiosa”, hipertimia — alteração de humor — falso reconhecimento, alĂ©m de “comportamentos desorganizados e por vezes inadequados”. No diagnĂłstico, os mĂ©dicos detalham que a mineira demonstra um comportamento com “gastos excessivos, doação de seus pertences, resistĂŞncia em se vestir e hiper-religiosidade”. Auricelia explica que Sandra continua internada e nĂŁo há prazo para alta porque, de acordo com ela, a cliente ainda precisa de cuidados de saĂşde fĂ­sica e mental. A advogada, entretanto, diz que a doença psiquiátrica de Sandra era desconhecida por Eduardo, que vive com ela há cerca de trĂŞs anos. PorĂ©m, os mĂ©dicos investigam possĂ­veis sinais da doença manifestados antes do inĂ­cio do relacionamento do casal.

— O Eduardo não tinha conhecimento dos problemas de saúde dela até então. Ele só fica sabendo quando acontece o episódio. Naquele momento, ao encontrá-la, ele percebe que a Sandra, que agia de forma muito diferente, estava em choque. Ela não apresentava mais pensamento organizado. Naquele dia, até então, tinha cumprido todas as suas funções normais como dona de casa e mãe. Levou a filha na escola, foi ao dentista, trabalhou em sua loja de roupas —  conta Auricelia.

A pedido da Justiça, o laudo foi anexado ao processo que trata sobre proliferação de perfis fakes em nome de Eduardo e Sandra nas redes sociais. O documento foi uma exigência do juiz para que a comerciante pudesse ser representada por outra pessoa na ação, que agora, assim como o inquérito policial, tramita sob sigilo. O teor da análise clínica foi confirmado pela advogada do casal. Segundo a defesa, foram constatados e informados oficialmente a existência de pelo menos 35 perfis fakes em nome de Eduardo no Instagram e cerca de 15 de Sandra, chamada de Sandrinha ou Mineirinha. Um novo registro de ocorrência foi feito na 16ª DP (Planaltina), que investiga o caso desde o início, e nele a defesa pede que os usuários que falsificaram os perfis sejam identificados.

Na última sexta-feira (25), a 16ª DP também recebeu uma queixa de difamação contra o morador de rua feita pelo pai de Sandra.  Declarações tidas como machistas e sexistas dadas a vários veículos de imprensa por Givaldo nos últimos dias têm incomodado parentes e amigos. Com palavrões, ele já detalhou como foi a relação com a mulher e inclusive falou sobre partes íntimas dela. Desde que o flagrante aconteceu, Eduardo, que feriu o morador de rua, preferiu ficar em silêncio. Ele, que é empresário, voltou a trabalhar ontem como personal trainer via app para clientes mais antigos e, assim, ir retomando a vida normal aos poucos.

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