As tentativas de feminicídio no Acre têm um perfil que escancara desigualdades e vulnerabilidades persistentes. É que um levantamento do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) mostra que 74% das vítimas são mulheres pardas ou pretas, enquanto a maior concentração de casos está entre jovens adultas, especialmente na faixa dos 25 aos 34 anos. O estudo avalia a série histórica, de 2018 a 2025.
Os dados, organizados pelo Observatório de Violência de Gênero (OBSGÊNERO), revelam que, do total analisado, 117 vítimas são negras (pardas ou pretas), contra 24 mulheres brancas, o equivalente a 15%. Outros 7% dos registros não informam a cor ou etnia das vítimas.
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A análise por idade reforça o recorte: mulheres entre 30 e 34 anos lideram os registros, com 31 casos, seguidas pelas de 25 a 29 anos, com 28 ocorrências. Em seguida aparecem as faixas de 40 a 44 anos (21 casos) e de 20 a 24 anos (17). Embora em menor número, há registros que atingem todas as idades, incluindo adolescentes e idosas, evidenciando que a violência de gênero atravessa gerações.
O nível de escolaridade das vítimas também foi avaliado. Em 70 casos, essa informação sequer foi registrada, o que aponta fragilidade na coleta de dados. Entre os registros disponíveis, predominam mulheres com ensino médio (28 casos) e ensino fundamental (18), além de 12 vítimas com ensino médio incompleto e 10 com fundamental incompleto. Há ainda nove vítimas identificadas como analfabetas e apenas três com ensino superior completo.
