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Médica é presa após polícia encontrar 34 fetos enterrados em jardim

Por Redação ContilNet 15/06/2026 às 13:00
Médica é presa após polícia encontrar 34 fetos enterrados em jardim

Obras em casa revelam cemitério clandestino com 34 fetos no sudeste da Polônia/ Foto: Reprodução

As autoridades de segurança da Polônia confirmaram, em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (15), a prisão preventiva de uma médica sob a acusação de ocultação e manipulação ilegal de material biológico humano. Pelo menos 34 fetos foram localizados enterrados no jardim de uma residência na comuna de Lutoryz, vilarejo situado na região sudeste do país europeu. A descoberta dos restos mortais e de outros insumos de uso laboratorial ocorreu acidentalmente durante a execução de obras de engenharia civil no terreno.

De acordo com o relatório assinado pela Procuradoria Regional de Rzeszów, os atuais proprietários do imóvel realizavam escavações para reformas estruturais quando encontraram recipientes com resíduos de descarte hospitalar. Diante do achado, o órgão de fiscalização e a polícia científica foram acionados para isolar a área periférica da propriedade.

“A Procuradoria Distrital de Rzeszów foi informada, em 10 de junho de 2026, da descoberta, numa das propriedades em Lutoryz, de uma quantidade significativa de objetos constituintes de resíduos médicos, nomeadamente blocos de parafina e lâminas de microscópio”, detalhou o porta-voz do Ministério Público local, procurador Krzysztof Ciechanowski.

A polícia polonesa identificou a ex-proprietária do imóvel como Magdalena H., de 57 anos. A mulher exercia a profissão de médica patologista na região e não possuía antecedentes criminais registrados em seu histórico civil. A principal linha de investigação conduzida pelos distritos policiais aponta que a profissional recolhia e estocava o material humano para utilizá-lo de forma clandestina em experimentos acadêmicos ou científicos de caráter particular, sem as devidas licenças governamentais.

O episódio gerou forte comoção social e debates políticos na Polônia, nação de forte matriz religiosa católica e detentora de uma das legislações penais mais restritivas de toda a Europa no que diz respeito à interrupção voluntária da gravidez. Apesar do contexto geopolítico, os peritos criminais ressaltaram que, com base nos exames preliminares nos tecidos coletados, não há nenhum indício técnico ou documental que correlacione os fetos a procedimentos de aborto clandestino ou redes de clínicas ilegais.

“Durante a investigação, constatou-se que os atuais proprietários compraram o terreno de uma mulher que atuava como patologista”, limitou-se a informar o comando da polícia polonesa por meio de uma nota técnica institucional.

Durante as varreduras minuciosas efetuadas no jardim, médicos legistas do Instituto de Medicina Legal confirmaram a extensão do cemitério clandestino de resíduos hospitalares. O volume de achados exigiu o destacamento de equipes especializadas de antropologia forense para garantir a integridade das amostras biológicas.

“Entre os resíduos identificados estava também um feto humano e outros restos que poderão corresponder a fetos humanos em fase inicial de desenvolvimento ou a fragmentos destes. Para o local, foram chamados peritos médicos, que confirmaram que os vestígios recolhidos são restos de fetos humanos”, complementou o procurador Ciechanowski, reforçando que “é muito provável que os fetos tenham sido utilizados como experimentos”.

Conduzida à sede da polícia para prestar depoimento formal assistida por defensores públicos, Magdalena H. rechaçou a tese de que estivesse executando pesquisas biológicas não autorizadas em sua antiga moradia. No entanto, a patologista admitiu formalmente aos investigadores que realizou pessoalmente o transporte, o manejo logístico e o sepultamento irregular dos 34 fetos e dos insumos analíticos na área verde da casa.

Caso as acusações de desrespeito a cadáver, crime ambiental por descarte de lixo hospitalar e manipulação não autorizada de amostras humanas sejam chanceladas pelo Tribunal de Justiça polonês, a médica poderá enfrentar uma pena restritiva de liberdade de até 12 anos de reclusão em regime fechado.

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