MP e polĂ­cia investigam caso do bebĂȘ que sobreviveu apĂłs ser dado como morto

Por Everton Damasceno, ContilNet 31/12/2021 Ă s 16:28

O MinistĂ©rio PĂșblico de RondĂŽnia (MP-RO) abriu uma processo para apurar o caso do bebĂȘ que apresentou sinais de vida depois de ser dado como morto por mĂ©dicos, em Ariquemes (RO). O caso tambĂ©m Ă© investigado pela PolĂ­cia Civil.

No despacho inicial, o MP pediu cĂłpia do boletim de ocorrĂȘncia que a famĂ­lia registrou na delegacia e informaçÔes da Secretaria Municipal de SaĂșde (Semsau) sobre a abertura de procedimento administrativo para apuração dos fatos.

De acordo com o delegado responsĂĄvel, Leandro Balensiefer, os profissionais de saĂșde do Hospital Municipal de Ariquemes compareceram de forma espontĂąnea na delegacia para prestar depoimento. O agente funerĂĄrio que percebeu que a criança estava viva e a avĂł do bebĂȘ tambĂ©m foram ouvidos.

Entenda o caso

No início da semana, uma jovem de 18 anos foi até uma UPA em Ariquemes, com fortes dores e sangramento. A jovem não sabia que estava gråvida.

Segundo a secretaria de SaĂșde do municĂ­pio, Milena Pietrobon, a mĂ©dica que atendeu a jovem percebeu de imediato que ela poderia estar gestante e passou exames e medicação. Mas segundo a mĂŁe da paciente, o resultado dos exames sĂł iriam sair no dia seguinte e, por este motivo, ela e a filha voltaram para casa ainda sem saber da gravidez.

JĂĄ em casa, por volta de 3h da manhĂŁ, a famĂ­lia diz que ela jĂĄ nĂŁo aguentava mais as dores e decidiu tentar voltar ao hospital. O bebĂȘ nasceu em casa, prematuro.

“Quando eu fui sair de casa para pegar o carro e abrir o portĂŁo, ela sĂł gritou ‘tĂĄ saindo alguma coisa de dentro de mim’. Foi quando saiu o nenĂ©m”, relembra a avĂł.

Quando conseguiram chegar ao hospital, os profissionais de saĂșde de plantĂŁo constataram que o bebĂȘ nĂŁo tinha vida e assinaram o certificado de Ăłbito como “natimorto”. Apesar disso, a avĂł da criança diz que ouviu ela chorar quando nasceu e considera toda a situação uma negligĂȘncia mĂ©dica.

“Fiquei indignada porque eu nĂŁo vi aquele empenho de ‘vamos tentar salvar a vida dessa criança de qualquer jeito'”, comentou.

“Milagre”

Um agente funerĂĄrio foi chamado atĂ© o hospital para recolher o corpo da criança. Cerca de quatro horas depois, quando preparava o corpo para o enterro, ele percebeu sinais de respiração e batimento cardĂ­aco no bebĂȘ e o levou atĂ© um hospital.

A secretaria de saĂșde acredita que a situação Ă© fruto de um “milagre”, que a criança saiu morta para a funerĂĄria e de alguma forma voltou com batimento cardĂ­aco.

“Para mim Ă© um milagre. Eu vi a mĂ©dica falando e ela foi muito clara no desespero dizendo para mim que esse bebĂȘ estava morto. A funerĂĄria veio pegar e ele estava morto. De alguma forma esse batimento cardĂ­aco voltou”, disse a secretĂĄria.

A famĂ­lia defende a ideia de que toda a situação foi causada por negligĂȘncia mĂ©dica e por isso decidiram registrar um boletim de ocorrĂȘncia.

“Eu coloquei a mĂŁozinha e falei ‘gente vocĂȘs tem certeza que essa criança tĂĄ morta?’ E eles responderam ‘tĂĄ morta, nĂŁo tenho que fazer mais nada nĂŁo'”, relembra a avĂł do bebĂȘ.

A criança estå internada em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI) de um hospital particular do município e responde bem ao tratamento médico. A mãe recebeu alta e se recupera em casa.

ConteĂșdo Original / Fonte: G1

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