Durante a entrevista coletiva nesta terça-feira (6), o coronel Ulysses explicou que estaria entregando o cargo de subcomandante da Polícia Militar do Acre e que o fato da sua saída não quer dizer que ele esteja ‘abandonando o barco’, pelo contrário, que a partir de agora como coronel é que ele irá trabalhar com mais presença nas ruas, lado a lado com a tropa nesse combate à criminalidade.
“Apenas estou deixando uma função de gestão, que é muito mais burocrática, e estou indo para a rua combater a criminalidade, unindo esforços com cada membro da Polícia Militar, que a cada dia tem lutado nessa guerra contra as facções do crime organizado. A partir de agora eu vou para a parte operacional, que é o lugar que eu mais amo dentro da Polícia Militar, desde tenente sempre fui oficial de rua”, completou.

Coronel Ulysses recebeu a imprensa em sua casa, para falar sobre a carta de demissão entregue por ele /Foto: ContilNet- Alamara Barros
Ulysses falou sobre os principais motivos pelos quais ele tomou a decisão de entregar a função de subcomandante, por não concordar com a negociação entre o Governo do Estado e o comando para cortar a etapa de alimentação dos policiais militares aposentados, além de outras atitudes que ferem o direito desses profissionais.
“Essa foi a razão pela qual eu entreguei o subcomando, por não concordar com a retirada da etapa de alimentação, tendo em vista que os maiores afetados são os policiais aposentados, que têm mais de 30 anos de serviço, trabalharam muito e hoje num determinado momento em que eles mais precisam ter um amparo, isso foi retirado. Então, na minha opinião, eu não poderia por princípios éticos, morais e questão de consciência, abandonar a minha tropa, principalmente aqueles que já deram sua parcela de contribuição dentro da Polícia Militar e isso para mim foi o estopim que me fez entregar a função”.

Ulysses acha inadmissível os cortes sofridos na etapa alimentação da PM /Foto: ContilNet-Alamara Barros
O coronel esclareceu ainda que o valor da etapa alimentação é igual para todos, independente da patente, o que prejudica ainda mais os policiais de patentes mais baixas, que consequentemente têm salários menores. “Esse é o maior problema, o valor é o mesmo para o policial militar, tanto faz ele ser soldado como ser coronel, então essa distorção é que prejudica principalmente os praças, porque se você retirar R$ 850 de um sargento, cabo ou subtenente, isso pesa muito, pois já conta com esse benefício como algo incorporado no seu orçamento”, explicou.
Ulysses finalizou dizendo que nada vai mudar a sua situação dentro da Polícia Militar como coronel, e que pretende assumir suas funções como sempre veio cumprindo com compromisso, responsabilidade e destemor, além disso aproveitou para parabenizar o novo subcomandante, coronel Ricardo Brandão, que já foi anunciado ao cargo nesta terça-feira (6). “Que ele tenha um excelente subcomando pois nós estamos dispostos e prontos para ajudar e colaborar com o seu trabalho e com toda a diretriz da Polícia Militar”, finalizou.
