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Fornecedor de armas a facção é preso em mansão no Suriname e deportado ao Brasil

Por Fhagner Soares, ContilNet 22/06/2026 às 05:51
Fornecedor de armas a facção é preso em mansão no Suriname e deportado ao Brasil

Empresa na Tríplice Fronteira era usada para pagar fornecedores de armas e drogas/ Foto: Reprodução

Uma operação conjunta entre a Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal (Gaeco/MPF) desarticulou, durante o fim de semana, uma ramificação financeira do Comando Vermelho (CV) voltada ao tráfico internacional de armas e entorpecentes. Denominada Operação Red Fox, a ação obteve a autorização da 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro para o bloqueio e sequestro de bens avaliados em até R$ 500 milhões.

A estrutura criminosa utilizava contas bancárias de terceiros, depósitos fracionados, transferências eletrônicas via Pix e empresas de fachada para lavar o dinheiro ilícito. Os recursos eram aplicados na compra de entorpecentes e armamentos de uso restrito oriundos do mercado externo, enviados posteriormente para abastecer bases da facção no Rio de Janeiro e em estados do Norte do país.

Ao todo, quatro mandados de prisão foram cumpridos, sendo dois deles em Paramaribo, capital do Suriname. A captura em território estrangeiro mobilizou canais de cooperação internacional com suporte da Diretoria de Segurança Nacional (DNV) e do Judicial Intervention Team (JIT) daquele país. Após a localização, a dupla foi deportada para o Brasil e formalmente presa pela PF ao desembarcar em Belém (PA).

Entre os presos no Suriname está Arnaldo Ribeiro, apontado pelos investigadores como o principal operador financeiro e fornecedor de armamento pesado da facção. Ribeiro teria movimentado individualmente mais de R$ 150 milhões e mantinha interlocução direta com Edgard Alves Andrade, conhecido como Doca, chefe do Comando Vermelho que permanece na condição de foragido da Justiça.

A Polícia Federal detalhou que Ribeiro intermediou recentemente a aquisição de dez fuzis AK-47 destinados a fortalecer as ações da facção na Região Norte. Sua esposa, Denise Mendonça, também acabou detida na operação, sob a acusação de gerenciar a logística e o fluxo financeiro da organização, registrando deslocamentos frequentes ao Suriname em datas coincidentes com as transações suspeitas monitoradas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Os outros dois alvos foram capturados em pontos estratégicos da rota de distribuição. Um operador foi detido na cidade do Rio de Janeiro e o segundo em Tabatinga (AM), na região de tríplice fronteira com a Colômbia e o Peru. O suspeito no Amazonas comandava uma empresa formal que servia de base para escoar pagamentos a fornecedores estrangeiros de drogas.

As autoridades informaram que nove mandados de prisão preventiva expedidos na mesma decisão judicial continuam em aberto, com diligências policiais em andamento para localizar outras lideranças do grupo.

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