A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), por intermédio de sua Diretoria de Inteligência Penal (Dipen), concluiu nesta quinta-feira (21) as atividades da décima primeira fase da Operação Mute nas unidades penitenciárias do estado do Acre. A força-tarefa de âmbito nacional, que ocorre de forma simultânea em presídios das capitais e do interior de todo o país, tem como diretriz central a localização e a retirada de materiais ilícitos de dentro das celas, com foco na interrupção de canais de comunicação de lideranças de facções criminosas.
No território acreano, o cronograma operacional foi deflagrado na segunda-feira (18) pelo Complexo Penitenciário de Rio Branco. Na sequência, as equipes de inspeção deslocaram-se na terça-feira (19) para o município de Sena Madureira e finalizaram os trabalhos de varredura nesta quinta-feira no município de Cruzeiro do Sul, na região do Vale do Juruá.
A ofensiva integrada mobilizou agentes da Polícia Penal Federal (PPF), equipes táticas e operacionais da Polícia Penal do Estado do Acre, além de suas respectivas unidades especializadas em intervenção em ambiente carcerário.
De acordo com o representante da Senappen e policial penal federal Jonnathan Alvim, a Operação Mute atua diretamente no estrangulamento logístico das redes de criminalidade, cuja articulação externa depende frequentemente da entrada ilegal de tecnologia nos pavilhões.

Diretores de presídios afirmam que o isolamento tecnológico dos detentos quebra a hierarquia das organizações criminosas/ Foto: Zayra Amorim/ Iapen
“Estamos finalizando hoje aqui em Cruzeiro do Sul mais uma fase da Operação Mute, operação de âmbito nacional que busca a retirada de objetos ilícitos dos presídios, mirando principalmente nos celulares para evitar comunicação interna com o mundo externo, evitando a comunicação deles e combatendo o crime organizado”, detalhou o coordenador federal.
Durante os procedimentos de revista estrutural e minuciosa realizados nas celas das unidades do interior do estado, os policiais penais contabilizaram a apreensão de sete aparelhos celulares — sendo cinco deles localizados no presídio de Sena Madureira e dois na unidade de Cruzeiro do Sul. Além dos dispositivos de telefonia, as equipes recolheram carregadores, estoques (armas brancas artesanais), fones de ouvido e porções de substâncias entorpecentes ilícitas.
Para a gestão do sistema penitenciário local, a reiteração dessas operações periódicas de varredura impacta de forma direta os índices de violência urbana, uma vez que muitas ordens de execução e roubos são coordenadas de dentro das alas habitacionais.
Emanoel Dantas, chefe da Divisão de Estabelecimento Penal de Sena Madureira, classificou o balanço da operação na regional como positivo para a estabilidade do sistema. “Estamos tirando toda a comunicação do preso com o ambiente interno e com o externo, para coibir o crime por meio de aparelhos eletrônicos, celulares e outras coisas. A operação está sendo um sucesso para todo mundo, para a população, para os servidores e para toda a segurança em si, mantendo a ordem e a disciplina”, argumentou.
Na mesma linha, o chefe da Divisão de Estabelecimento Penal de Cruzeiro do Sul, Elves Barros, ressaltou o papel preventivo da ação ao desarticular os canais de contato com comparsas que permanecem em liberdade. “Essa ação é muito importante para manter a segurança dentro do presídio e na sociedade, tendo em vista que ilícitos, principalmente aparelhos celulares utilizados para entrar em contato com pessoas de fora, fortalecem o crime. E o nosso objetivo é exatamente esse: quebrar a estrutura das organizações criminosas e evitar a comunicação com o externo”, concluiu Barros.

