Operação prende servidores e ex-prefeito por esquema de R$ 27 milhões

Investigação do Gaeco aponta que contratos de livros paradidáticos serviam para lavar dinheiro em Mato Grosso do Sul

Por Redação ContilNet 07/07/2026 às 15:26
Operação foi realizada nesta terça-feira (7). — Foto: Gaeco/MPMS

O ecossistema de combate aos crimes institucionais deflagrou uma ofensiva contundente nas primeiras horas desta terça-feira (7). O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), colocou nas ruas a Operação Gutenberg. A força-tarefa visa desestruturar uma organização criminosa ramificada que operava um complexo esquema de fraudes licitatórias, corrupção e lavagem de dinheiro, utilizando verbas originalmente carimbadas para o atendimento médico da população.

As ações operacionais mobilizaram dezenas de agentes para o cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e 43 ordens judiciais de busca e apreensão. Os alvos localizam-se em municípios como Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além de ramificações em São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

Uso Simbólico do Nome: O nome da operação faz alusão a Johannes Gutenberg, o inventor da imprensa, criticando o uso de livros paradidáticos para dar uma falsa aparência de legalidade aos contratos ilícitos.

Os nomes dos detidos na operação, o papel de assessores e a liberação de leitos

As engrenagens do esquema contavam com a participação direta de servidores influentes da máquina pública para direcionar contratações diretas, dispensando os ritos tradicionais de concorrência. De acordo com as apurações jornalísticas da TV Morena compartilhadas pelo portal de notícias G1, o grupo movimentou cifras expressivas que eram pulverizadas entre pessoas físicas e jurídicas para ocultar sua origem criminosa.

Conforme os despachos oficiais e o detalhamento dos alvos confirmados na apuração do G1, a lista de detidos e as manifestações de defesa estruturam-se sob os seguintes marcos:

  • Servidores e Políticos: O jornalismo do G1 confirma a prisão de Ed Carlos Burgatti, funcionário do setor de regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES); Rossana Paroschi Jafar, gestora de uma gráfica local; e Júnior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar;

  • Posicionamento do Gabinete: Em nota oficial enviada ao G1, o deputado estadual Jamilson Name esclareceu que não possui nenhuma relação com os fatos e pontuou que Júnior é servidor de carreira da Polícia Civil, cedido para exercer funções estritamente administrativas em seu gabinete;

  • Moeda de Troca Cruel: O ponto mais alarmante da apuração do G1 revela que servidores públicos da regulação condicionavam a autorização de cirurgias, exames e vagas em hospitais à aquisição dos livros vendidos pelo cartel empresarial;

  • Reação do Executivo: O governo de Mato Grosso do Sul informou em comunicado ao G1 que prestou apoio tático por meio do Batalhão de Choque e do Bope, determinando a imediata exoneração dos servidores investigados e a abertura de uma auditoria pela Controladoria-Geral do Estado.

O Ministério Público estadual alertou que a organização criminosa permanecia em plena atividade e ostentava contratos vigentes junto a várias prefeituras do interior. Até o fechamento desta edição, o portal G1 não havia localizado as equipes de defesa técnica dos envolvidos, permanecendo o espaço aberto para as devidas manifestações constitucionais de contraditório.

FAQ

Qual o objetivo principal da Operação Gutenberg deflagrada pelo Gaeco?

A operação visa desarticular uma organização criminosa que fraudava licitações e desviava recursos da saúde pública por meio da compra direcionada de livros paradidáticos.

Como os investigados utilizavam os leitos de hospitais no esquema?

Segundo dados divulgados pelo G1, servidores públicos condicionavam o encaminhamento de pacientes para exames, cirurgias e leitos do SUS à compra de materiais comercializados pelo grupo.

Qual o montante total de recursos financeiros movimentado pelo grupo?

As investigações do Ministério Público apontam que os contratos sob suspeita de fraude somam mais de R$ 27 milhões em verbas públicas desviadas.

Acompanhe os desdobramentos das audiências de custódia dos investigados, verifique a lista completa de empresas submetidas a bloqueios de bens e monitore os relatórios de auditoria emitidos pela Controladoria do Estado. Fique por dentro de todas as notícias sobre o combate à corrupção, segurança pública, gestão da saúde e atualidades em nossa cobertura diária.

Conteúdo Original / Fonte: G1

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