O Amazonas conseguiu recapturar o narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco, após ficar quase dois anos foragido. João Branco foi preso na última quinta-feira (25) pela Polícia Federal quando tentava entrar no Brasil pela fronteira com a Venezuela. Ele é acusado de liderar a Família do Norte (FDN), principal facção criminosa que atua nos presídios amazonenses, e que tem no tráfico de drogas sua principal fonte de financiamento.

O traficante foi preso pela Polícia Federal/Foto: Aguilar Abecassis
A prisão foi feita por policiais federais que faziam patrulhamento em Pacaraima (RR), já na fronteira com a Venezuela. Os agentes desconfiaram da autenticidade da carteira de identidade apresentada pelo traficante e quando tentava entrar no Brasil. A suspeita se deu após constatar que o documento estava muito bem conservado para ser a primeira via emitida em 1979, conforme informado.
A identidade teria sido emitida pela Secretaria de Segurança do Amazonas. Joao Branco passou a se chamar Jônatas Peres Soares com a novo registro, descoberto que era falso ao ser levantado pelo sistema da Polícia Federal no Amazonas.
Ele foi preso junto com os seus comparsas que faziam a “escolta” do criminoso. João Branco foi transferido de Boa Vista para Manaus nesta sexta (26) em um voo comercial sob forte esquema de segurança. A intenção era transferi-lo ainda na sexta para o presídio federal de Catanduvas, no Paraná. Por falta de vagas na unidade ele permanecerá preso na superintendência da PF em Manaus.
Em novembro do ano passado, a PF no Amazonas deflagrou a operação La Muralla, que tinha como objetivo desarticular e prender os líderes da FDN que comandavam o narcotráfico na região; 90 prisões foram feitas à época. A droga da organização era fornecida por carteis do Peru e da Colômbia.
Entre os mandados de prisão havia um contra Joao Branco. Outros investigados que já estavam presos mas que comandavam o tráfico de dentro dos presídios foram levados para o Paraná e Paraíba.
João Branco também é apontado como o mandate do assassinato do delegado da Polícia Civil Oscar Cardoso, executado com mais de 20 tiros em março de 2014 quando saia de casa.
O narcotraficante conseguiu escapar do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, pulando o muro pouco antes de policiais civis chegarem para transferi-lo a outro presídio para responder pela morte do delegado.
João Branco é considerado bandido de alta periculosidade, dando ordens para executar desafetos ou rivais que estejam atrapalhando os negócios de sua facção criminosa. Nas áreas mais pobres de Manaus, a FDN chega a atuar como uma espécie de milícia. Para despistar a polícia, João Branco realizou várias cirurgias plásticas no rosto.
