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Polícia prende dona de pousada suspeita de matar cozinheira por dívida trabalhista

Por Fhagner Soares, ContilNet 12/07/2026 às 20:14
Polícia prende dona de pousada suspeita de matar cozinheira por dívida trabalhista

Investigada alega ter pago R$ 2,6 mil em espécie e deixado idosa em trevo rodoviário/ Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Estado de São Paulo trabalha com a hipótese de que a empresária Eliane Alves dos Santos tenha assassinado a cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos, com o objetivo de se eximir do pagamento das verbas rescisórias trabalhistas da funcionária. A idosa está desaparecida desde o dia 30 de junho, data em que aceitou uma carona da empregadora no município de Ubatuba, no litoral norte paulista.

A investigação criminal, que inicialmente tramitava sob o protocolo de localização de pessoa desaparecida, foi reconfigurada para a tipificação de homicídio. Eliane, apontada pelas autoridades policiais como a principal suspeita do crime, foi detida em cumprimento a um mandado de prisão temporária na última sexta-feira (10). O corpo da vítima ainda não foi localizado pelas equipes de busca.

Eliane Alves dos Santos é proprietária de um estabelecimento de hospedagem localizado no bairro Ubatumirim. Conforme o depoimento prestado por familiares da vítima à delegacia local, Berenice havia relatado que foi dispensada de suas funções contratuais no dia 29 de junho — véspera do sumiço —, sob a justificativa patronal de redução de demanda decorrente da baixa temporada turística na região litorânea. A cozinheira aguardava o repasse financeiro dos valores devidos para providenciar seu retorno definitivo a Igaratá, sua cidade natal, situada na região do Vale do Paraíba.

Na tarde do dia 30 de junho, Berenice embarcou no veículo da dona da pousada sob o pretexto de receber uma carona até o trevo rodoviário que concede acesso à Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125). A partir daquele momento, todos os seus canais de comunicação foram interrompidos.

O filho da vítima, José Carlos de Faria Filho, informou à equipe de investigação que a mãe cessou o envio de mensagens e o atendimento de chamadas telefônicas ainda na tarde daquele dia. Diante do silêncio, os parentes se deslocaram até o estabelecimento comercial para colher esclarecimentos.

“Fomos à pousada e descobrimos que houve uma discussão entre minha mãe e a patroa. A patroa falou que pagou R$ 2,6 mil em dinheiro para ela e, depois, deu carona a ela até o trevo de acesso à rodovia”, relatou Faria Filho em depoimento formal.

À família e aos policiais, a empresária Eliane alegou que Berenice teria desistido de voltar para o Vale do Paraíba após obter uma nova proposta de emprego em um restaurante situado na área da Praia das Toninhas, também em Ubatuba. Os três filhos da idosa refutam a versão, sustentando que a mãe mantinha contato diário rigoroso e jamais aceitaria um novo cargo sem notificá-los, reforçando a convicção de que ela pretendia regressar ao município de origem.

Os canais de reportagem não conseguiram localizar a representação jurídica de defesa de Eliane Alves dos Santos para comentar a decretação da prisão temporária. O espaço editorial permanece à disposição para a manifestação formal das partes.

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