Socorro a brasileira presa em ferragens atrasa por entrave na fronteira com o Peru

Condutora Jéssica Nascimento Montes aguardou atendimento por mais de duas horas e meia

Por Fhagner Soares, ContilNet 18/07/2026 às 19:17
Caso divulgado pelo Notícias da Hora questiona regras de cooperação no corredor internacional/ Foto: Ilustrativa

O tombamento de um caminhão de transporte internacional de cargas na última terça-feira (14), nas proximidades da cidade de Iberia, no Peru, expôs falhas nos protocolos de cooperação fronteiriça para atendimentos de urgência. A motorista de carreta brasileira Jéssica Nascimento Montes permaneceu presa às ferragens do veículo por mais de duas horas e meia devido à falta de autorização imediata para que as equipes de resgate do Acre cruzassem a fronteira.

O acidente ocorreu enquanto a profissional, que atua regularmente no corredor logístico entre os dois países, transportava uma carga de castanha. Ela viajava acompanhada do marido, que exerce a mesma profissão na mesma empresa de transportes e também estava na cabine no momento em que o veículo pesado tombou à margem da rodovia peruana. Os detalhes sobre o episódio foram divulgados originalmente pelo portal Notícias da Hora.

Logo após o tombamento, motoristas de outros caminhões que trafegavam pelo trecho iniciaram os primeiros procedimentos de apoio e tentaram retirar as vítimas da cabine retorcida. Diante da gravidade das lesões e do aprisionamento de Jéssica nas estruturas de metal, profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros de Assis Brasil, município acreano vizinho à linha de fronteira, foram acionados para realizar o desencarceramento.

As ambulâncias e viaturas de salvamento brasileiras, no entanto, foram retidas temporariamente na guarita de controle internacional. Agentes alfandegários do Peru impediram a entrada direta dos socorristas em território estrangeiro sob a justificativa de ausência de permissões e trâmites burocráticos regulamentares para missões oficiais externas.

Diante do impasse diplomático e técnico na aduana, os bombeiros e paramédicos precisaram recuar até o perímetro urbano de Assis Brasil. A equipe de resgate buscou suporte emergencial junto às autoridades policiais da fronteira para intermediar as negociações com a administração peruana.

A liberação das viaturas de socorro do Acre só foi consolidada após a interferência direta das forças de segurança da fronteira. Com o sinal verde obtido por meio da articulação institucional, os bombeiros conseguiram acessar o local do acidente em Iberia, cortar as ferragens e retirar a motorista.

O episódio reacendeu as discussões entre os trabalhadores rodoviários sobre a necessidade de acordos de assistência mútua automáticos e desburocratizados para sinistros de saúde na rodovia Interoceânica.

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