Técnica de enfermagem é presa suspeita de tentar furtar recém-nascida em bolsa

Funcionária de folga simulou exames e escondeu bebê

Por Fhagner Soares, ContilNet 12/07/2026 às 20:33
Suspeita alegou que levaria criança para exames, mas a escondeu em acessório de grande porte/ Foto: Reprodução

Uma técnica de enfermagem foi presa sob a acusação de tentar sequestrar uma recém-nascida de dentro da Maternidade Dona Evangelina Rosa, localizada em Teresina, no Piauí. O episódio, que mobilizou a segurança da unidade de saúde e as forças policiais, ocorreu no momento em que a funcionária tentava deixar o hospital transportando a bebê no interior de uma bolsa de grande porte.

Imagens do sistema de monitoramento interno da instituição, veiculadas pelo programa Fantástico, da Rede Globo, registraram a movimentação da suspeita, identificada como Auricélia Rocha. Ela atuava na maternidade há pouco mais de dois anos. Conforme as investigações, a técnica encontrava-se em dia de folga quando ingressou no hospital e obteve acesso à ala onde estava a criança.

De acordo com o relato da família da recém-nascida, a técnica de enfermagem abordou a mãe da bebê — uma adolescente de 14 anos que havia viajado de Castelo do Piauí para a capital para dar à luz — e informou que precisaria levar a criança para a realização de exames protocolares, incluindo o teste do pezinho. Diante do aviso, a tia da bebê, Daniela Beatriz, decidiu acompanhar a funcionária e aguardou na parte externa da sala.

Minutos depois, as câmeras de segurança flagraram Auricélia deixando o recinto sem a criança nos braços, carregando apenas uma bolsa preta volumosa. A mudança de atitude e a ausência da recém-nascida despertaram a suspeita de Daniela, que optou por seguir a funcionária até um banheiro da unidade de saúde.

“Ela vai pro banheiro, eu já fico olhando aquela situação. Eu sinto que aquele negócio não está certo”, relatou a tia em entrevista.

Daniela Beatriz descreveu que a técnica saiu do banheiro utilizando vestimentas diferentes. Convicta de que algo irregular estava ocorrendo, a tia abordou a funcionária, confrontou-a e, ao puxar a bolsa que ela carregava, localizou a sobrinha acomodada no interior do compartimento.

“Quando eu puxo, a neném está lá. Eu questiono: ‘Mulher, pelo amor de Deus, o que tu está fazendo com essa menina nessa bolsa?’. Eu já tiro a neném e saio pedindo socorro”, narrou Daniela.

A bebê foi resgatada e restituída à família imediata. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil do Piauí como tentativa de sequestro. Devido ao fato de a comunicação do crime não ter ocorrido de forma imediata às autoridades, Auricélia não foi detida em flagrante, mas teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça dias depois.

Durante os procedimentos de busca e apreensão realizados na residência da suspeita, os policiais civis encontraram um cômodo totalmente preparado para receber um recém-nascido, equipado com berço, roupas, fraldas e banheira. Segundo os investigadores, os familiares de Auricélia acreditavam que ela estava gestante, embora não houvesse documentação médica que comprovasse a gravidez. Após a repercussão do caso, a técnica foi internada em uma clínica psiquiátrica por iniciativa da família, tendo o mandado de prisão cumprido logo após receber alta médica. Em depoimento formal, ela optou por permanecer em silêncio.

A defesa técnica de Auricélia Rocha argumentou que a cliente apresenta sintomas esquizofrênicos, faz uso regular de medicamentos psiquiátricos e possuiria limitações cognitivas para compreender a gravidade dos fatos sob investigação. No entanto, a Polícia Civil informou que o inquérito não trabalha, neste estágio, com a hipótese de insanidade mental que exima a responsabilidade pelos atos. A linha investigativa aponta que Auricélia agiu sozinha e planejou a ação.

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