58 anos do golpe militar: as consequĂȘncias da ditadura para o Acre

Por THIAGO CABRAL, DO CONTILNET 01/04/2022 Ă s 11:32 Atualizado: hĂĄ 4 anos
Reprodução

Lembrar para nunca esquecer

Em um dia como hoje, um 31 de março, hĂĄ 58 anos, um golpe militar entrava em curso no Brasil. O golpe de 1964, que ocorreu entre os dias 31 de março e 1 de abril, culminou com a deposição do presidente JoĂŁo Goulart, pondo fim Ă  Quarta RepĂșblica e iniciando a ditadura militar brasileira.

Acre

Para entender um pouco sobre como a ditadura militar atuou no Acre, a coluna conversou com o historiador Marcos VinĂ­cius.

Golpe acreano

“O Acre tinha recĂ©m eleito seu primeiro governador em um regime democrĂĄtico. JosĂ© Augusto de AraĂșjo foi eleito em 1962, e assumiu em 63. A ditadura militar conturbou tudo e pouco mais de um ano depois da posse do JosĂ© Augusto, o capitĂŁo Edgar Cerqueira, que era o comandante das tropas federais no Acre decidiu tomar o poder. Alguns dizem que sem ordem oficial da ditadura, mas sobre isso ainda hĂĄ dĂșvidas”, contou o historiador.

Cercados

Para conseguir concluir o golpe aqui no estado, o militar usou da força e da intimidação. “Ele cercou o PalĂĄcio Rio Branco com as tropas federais e intimou o governador a renunciar. No dia seguinte, com o governador JosĂ© Augusto sem alternativa, jĂĄ que a guarda territorial era mal armada, acabou assinando a renĂșncia. O capitĂŁo cercou tambĂ©m a Assembleia Legislativa e os deputados estaduais, sob pressĂŁo, o nomearam governador do recĂ©m-criado estado do Acre, cargo no qual ele permaneceu atĂ© 1966, quando foi traĂ­do pelos prĂłprios polĂ­ticos. Ele quis se eleger senador mas nĂŁo conseguiu e foi embora do Acre”, contou.

Hélio Cury

O historiador contou ainda que muitos acreanos tambĂ©m sofreram perseguição por parte do governo militar. “Durante toda a ditadura houve perseguição e censura no Acre, e a diferentes pessoas, como seu HĂ©lio Cury, que todas as vezes em que o presidente da RepĂșblica, neste perĂ­odo da ditadura, vinha ao Acre, ele (HĂ©lio Cury) era preso preventivamente, apesar de nĂŁo representar absolutamente nenhuma ameaça”.

Seringueiros

Houve perseguição tambĂ©m contra os seringueiros. “TambĂ©m houve açÔes contra a organização dos seringueiros, que estavam se organizando em sindicatos e jĂĄ começavam a realizar os empates. Assim como em outras partes do Brasil, o Acre sofreu graves consequĂȘncias no perĂ­odo da ditadura militar e um retrocesso muito grande”.

Danos

Os danos que a ditadura causou em todo o paĂ­s sĂŁo incontĂĄveis e incontestĂĄveis. Mas no Acre, houve um agravante: Ă©ramos um estado e uma democracia recĂ©m-nascidos. “No caso do Acre o dano foi ainda maior do que no resto do Brasil porque a democracia acreana havia recĂ©m começado, jĂĄ que em 1962 o territĂłrio se transformou em estado. TĂŁo logo os acreanos começaram a ter direito de eleger seus governantes, jĂĄ foram cerceados de novo, e ficaram sem eleger governador atĂ© 1982, no processo de reabertura, praticamente 20 anos sem direito a democracia. Um prejuĂ­zo muito grande para todos os acreanos”, concluiu o historiador.

Bolsonaro

Defensor ferrenho do perĂ­odo militar, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem feito escola no seu governo e nĂŁo Ă© raro ver ministros e funcionĂĄrios do alto escalĂŁo do Governo Federal fazendo elogios pĂșblicos ao perĂ­odo da ditadura militar.

Ordem do dia

Hoje foi a vez do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, publicar um texto no site da pasta em que afirma que o golpe militar “Ă© um marco histĂłrico da evolução polĂ­tica brasileira, pois refletiu os anseios e as aspiraçÔes da população da Ă©poca”. Braga Netto disse ainda que “a histĂłria nĂŁo pode ser reescrita, em mero ato de revisionismo, sem a devida contextualização”.

Reação

O texto, Ă© claro, despertou reaçÔes de polĂ­ticos e artistas de todo paĂ­s. Gerou tambĂ©m uma reação do MPF, que pediu na justiça a retirada, com urgĂȘncia, da nota do MinistĂ©rio da Defesa. “NĂŁo condiz com o conteĂșdo desse princĂ­pio o agente pĂșblico valer-se da função pĂșblica exercida para fazer, em canal oficial de comunicação, mençÔes elogiosas ao regime de exceção instalado no PaĂ­s por meio do golpe militar de 1964, que violou, de forma sistemĂĄtica, direitos humanos, valendo-se, inclusive, da prĂĄtica de tortura e execuçÔes de pessoas, e que, reconhecidamente, levou Ă  responsabilização do Brasil em Ăąmbito internacional”, diz trecho do pedido do MPF.

Férias

Caros leitores, a partir desta sexta-feira (1) este colunista entra em fĂ©rias durante todo o mĂȘs de abril. Desta forma, a coluna Pimenta no Reino entra em recesso e tem seu retorno previsto para maio. AtĂ© breve!

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