A estratĂ©gia de industrialização do cafĂ© no Acre ganhou um novo capĂtulo nesta terça-feira (9/12). A AgĂŞncia Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Cooperacre assinaram um convĂŞnio de R$ 14,7 milhões para a construção de dois novos complexos de beneficiamento de cafĂ© no estado. O ato, realizado na sede da cooperativa em Rio Branco, consolida a expansĂŁo do modelo industrial que já Ă© sucesso no Vale do Juruá para a regiĂŁo do Baixo Acre.

Convênio assinado nesta terça-feira (9/12) viabiliza indústrias de beneficiamento em Capixaba e Acrelândia/Fotos: Juan Diaz
Do valor total, R$ 13,1 milhões são recursos da ABDI e R$ 1,6 milhão é a contrapartida da Cooperacre. O investimento será destinado à edificação dos complexos e à compra de equipamentos como secadores, descascadores, mesas densimétricas e classificadores para duas cooperativas filiadas à rede: a COPASFE, em Capixaba, e a COOPBONAL, em Acrelândia.
O projeto foi dimensionado para atender a uma demanda reprimida e agregar valor Ă produção de cerca de 400 famĂlias de agricultores familiares.
A capacidade instalada das novas indĂşstrias terá um impacto direto na economia local já no primeiro ano de funcionamento: em Capixaba, a estrutura atenderá cerca de 130 famĂlias que cultivam 260 hectares, com estimativa de processar 20.800 sacas de cafĂ© por ano. Em Acrelândia, o complexo receberá a produção de 160 famĂlias, com 320 hectares cultivados e previsĂŁo de 25.600 sacas anuais.
Somadas, as unidades processarão mais de 46.400 sacas/ano, cobrindo uma área produtiva de 580 hectares.
Atualmente, os produtores locais enfrentam gargalos logĂsticos e precisam vender o cafĂ© “em coco” (sem beneficiamento) ou percorrer longas distâncias para processá-lo, o que reduz sua rentabilidade. Com os Complexos Industriais, o lucro do beneficiamento permanecerá com o produtor.
NIB na AmazĂ´nia
Para a diretora de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI, Perpétua Almeida, o convênio reafirma o compromisso da Agência em levar a Nova Indústria Brasil (NIB) para dentro da Amazônia.

“O que fizemos no Vale do Juruá provou uma verdade simples: quando a tecnologia e a industrialização chegam na ponta, a vida das famĂlias muda”, disse PerpĂ©tua/Foto: Juan Diaz
“O que fizemos no Vale do Juruá provou uma verdade simples: quando a tecnologia e a industrialização chegam na ponta, a vida das famĂlias muda. O cafĂ© vira renda, vira emprego, vira dignidade. Agora, estamos levando esse mesmo modelo de sucesso para o Baixo Acre. Capixaba e Acrelândia vĂŁo viver a mesma virada, com mais valor agregado, mais autonomia e mais riqueza, melhorando a vida de nossa gente”.
O presidente da Cooperacre, José de Araújo, destacou a importância da parceria para fortalecer o cooperativismo e a autonomia dos produtores.
“É um momento de muita alegria para nĂłs, principalmente para as duas cooperativas singulares, COPASFE e COOPBONAL. Estamos assinando mais uma parceria pela qual serĂŁo beneficiados diretamente os produtores dessas cooperativas, totalizando mais de 400 famĂlias. Para chegar neste convĂŞnio, houve esforço de muitas pessoas, e fica nosso agradecimento.”
O presidente da Coopercafé e membro da diretoria do Sistema OCB/AC, Jonas Lima, celebrou o momento como um marco para a agricultura familiar do estado e para o cooperativismo.
“Para que este recurso chegue na ponta, nĂłs precisamos nos organizar como sociedade. Acredite, a saĂda para a sociedade Ă© o cooperativismo. Ele nĂŁo Ă© um movimento partidário, ele Ă© um movimento que faz a mudança na vida das pessoas no Acre, no Juruá e no Brasil. É por isso que Ă© fundamental: quando o presidente da sua cooperativa chamar para uma reuniĂŁo, vá lá, dĂŞ o apoio. NĂłs precisamos estar organizados para que quem está nos cargos pĂşblicos possa ver e investir em uma entidade estruturada.”
O governador em exercĂcio e presidente da Assembleia Legislativa do Acre, Nicolau JĂşnior, ressaltou os investimentos do Governo Federal no Acre.
“Essa aproximação aqui nessas cadeiras, isso mostra a união: a união do estado junto com o Governo Federal. Temos que agradecer ao Presidente Lula pelos investimentos no Acre, que vão mudar a realidade da agricultura familiar em Capixaba e Acrelândia, como já mudou no Juruá.”
Sustentabilidade: Café que Preserva a Floresta
Além do viés econômico, os novos Complexos Industriais nascem alinhados às exigências globais de sustentabilidade. O foco é o Café Robusta Amazônico, uma cultura perene que, quando bem manejada, recupera áreas degradadas e evita novas derrubadas.
“Quando a ABDI chega com um projeto desse, junto com a Cooperacre, para nos fortalecer, isso para a gente Ă© um sonho; nĂŁo temos nem palavras para agradecer. Este projeto vai beneficiar mais de 300 produtores em Capixaba. Hoje, o lucro deles fica todo no frete, mas agora, com o cafĂ© secadinho, peladinho e bonitinho, o valor será bem mais agregado e valorizado. É uma gratidĂŁo imensa!”, disse a presidente da COPASFE, Nilva Dantas.
Estudos recentes da Embrapa RondĂ´nia, citados no plano tĂ©cnico do projeto, revelam que o CafĂ© Robusta AmazĂ´nico possui um balanço de carbono positivo: sequestra, em mĂ©dia, 2,3 vezes mais CO2 do que emite para ser produzido. Isso significa retirar da atmosfera cerca de 4 toneladas de carbono por hectare ao ano, provando que Ă© possĂvel aliar alta produtividade industrial com a conservação da floresta em pĂ©.
O prazo de execução para a entrega das obras e instalação dos equipamentos é de 24 meses.
Assessoria

