O advogado Abelardo de la Espriella, candidato da ala conservadora, venceu o segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia realizadas neste domingo (21). Com 99,65% das urnas apuradas pelo Registro Nacional, Espriella obteve 49,65% dos votos válidos, superando o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do atual mandatário Gustavo Petro, que colheu 48,70% da preferência do eleitorado.
O resultado divulgado pela autoridade eleitoral colombiana possui caráter preliminar. Conforme o rito jurídico do país, juízes setoriais devem ratificar a contagem de votos ao longo da semana para a proclamação oficial do eleito. O comparecimento às urnas atingiu 62,51% dos cidadãos aptos, índice superior aos 57% registrados no primeiro turno, em um sistema onde o voto é facultativo. No pleito inicial, Espriella já havia liderado com 43,78% (10,3 milhões de votos) contra 40,98% (9,7 milhões) de Cepeda.
A ascensão de Espriella, de 47 anos e filiado ao movimento Defensores da Pátria, consolida uma guinada política à direita na Colômbia após quatro anos de gestão esquerdista. Conhecido popularmente pelo apelido de “El Tigre”, o advogado nunca exerceu cargos eletivos anteriores e pautou sua plataforma de campanha na condição de “outsider” do estamento político tradicional.
O presidente eleito baseou seu discurso em propostas rígidas de segurança pública inspiradas nos modelos aplicados pelos presidentes Nayib Bukele, de El Salvador, e Javier Milei, da Argentina. Entre as principais metas programáticas de seu plano de governo estão a construção de complexos penitenciários de segurança máxima, o endurecimento das penas do Código Penal, a revisão do tamanho do Estado e a revogação imediata das diretrizes de negociação com insurgentes. A posse presidencial está agendada para o dia 7 de agosto de 2026.
A candidatura derrotada de Iván Cepeda representava a continuidade do modelo político de Gustavo Petro, impedido pela Constituição local de disputar mandatos consecutivos. Embora a gestão de Petro tenha aprovado reformas estruturais nas áreas tributária e trabalhista, o governo enfrentou forte desgaste devido à deterioração dos índices de criminalidade urbana e rural.
A estratégia de “paz total” do atual governo, que buscava a desmobilização negociada do Exército de Libertação Nacional (ELN), de dissidências das FARC e de cartéis como o Clã do Golfo, foi o ponto central de desgaste explorado pela oposição. Dados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) apontam que 322.688 pessoas foram deslocadas de suas terras no território colombiano em 2025 devido a confrontos armados, volume que representa o dobro do ano anterior. O órgão internacional computou ainda 965 vítimas de artefatos explosivos no mesmo intervalo, em sua maioria cidadãos civis.


