Há um ano, quando Joe Biden recém emergia como o nome do Partido Democrata a enfrentar Donald Trump nas eleições presidenciais de novembro de 2020, seus correligionários não disfarçavam certa falta de entusiasmo.
PolĂtico profissional com mais de trĂŞs dĂ©cadas no Congresso, Biden era visto como um centrista pragmático, de estilo protocolar e entediante, que teria que ser rebocado pelas alas mais Ă esquerda do partido para implementar uma agenda progressista em sua gestĂŁo.
Pareciam corroborar essa visĂŁo tanto o histĂłrico de Biden, que votou a favor da Guerra do Iraque e costumava manter proximidade com parlamentares republicanos repudiados pela base democrata – como o senador Mitch McConnell -, quanto sua negativa de, ainda durante a campanha, endossar propostas como a criação de um sistema de saĂşde pĂşblico universal no paĂs, advogada por seu rival nas primárias, o senador Bernie Sanders.
Nas fileiras do partido e entre o eleitorado jovem e progressista dos EUA, o quase octogenário era tomado como um possĂvel presidente tampĂŁo, uma figura moderada necessária para pacificar o paĂs apĂłs a turbulĂŞncia social dos anos Trump, uma espĂ©cie de ponte para algo mais ousado em termos de polĂticas pĂşblicas democratas, que nĂŁo viria nos quatro anos de um mandato Biden.
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