Boulos rejeita ‘bolsa patrĂŁo’ em debate sobre fim da escala 6×1 na Câmara

Ministro Guilherme Boulos compara redução de jornada ao salário mínimo para afastar subsídios a empresários

Por Fhagner Soares, ContilNet 14/05/2026 Ă s 05:18
Fim da escala 6x1: Boulos critica compensação e governo fecha acordo por 5x2/ Foto: Reprodução

O ministro da Secretaria-Geral da PresidĂŞncia, Guilherme Boulos, subiu o tom nesta quarta-feira (13) contra a proposta de conceder contrapartidas financeiras a empresas em troca da aprovação do fim da escala 6×1. Durante audiĂŞncia pĂşblica na comissĂŁo especial que analisa a Proposta de Emenda Ă  Constituição (PEC), o ministro classificou a ideia de compensação econĂ´mica como uma espĂ©cie de “bolsa patrĂŁo”.

Boulos utilizou dados do Instituto de Pesquisa EconĂ´mica Aplicada (Ipea) para sustentar que o impacto da redução da jornada Ă© comparável ao reajuste anual do salário mĂ­nimo, situação na qual nĂŁo se discute subsĂ­dio estatal. “AlguĂ©m propõe compensação para as empresas quando há aumento de salário mĂ­nimo? NĂŁo seria razoável. Por que vamos falar agora de ‘bolsa patrĂŁo’? O trabalhador, por meio de seus impostos, teria que financiar uma compensação para ter o direito humano de descansar dois dias? NĂŁo tem razoabilidade”, questionou.

A audiência também contou com o depoimento de Rick Azevedo, vereador no Rio de Janeiro e idealizador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Azevedo, que trabalhou por 12 anos em setores como supermercados e telemarketing sob o regime de seis dias de trabalho por um de folga, relatou as sequelas emocionais do modelo.

“Por anos, passei nĂŁo me sentindo gente, nĂŁo me sentindo pertencente Ă  sociedade”, desabafou o ativista. Ele reforçou a posição de Boulos ao rejeitar um perĂ­odo de transição prolongado para a aplicação da nova regra. “A escala 6×1 existe desde que a CLT foi fundada. O fim dela já era para ter acontecido”, afirmou.

A articulação polĂ­tica avançou nos bastidores. Ministros do governo Lula e lideranças da Câmara dos Deputados fecharam um acordo para que a PEC estabeleça, de forma direta na Constituição, a jornada de 40 horas semanais (atualmente sĂŁo 44h) e o descanso semanal de dois dias (escala 5×2).

Para dar agilidade à mudança, o governo enviará um Projeto de Lei (PL) com urgência constitucional. O PL servirá para regulamentar especificidades de categorias profissionais distintas e ajustar a legislação infraconstitucional à nova realidade. Segundo o deputado Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão, os únicos pontos que ainda dividem os parlamentares são a existência de um período de transição e a eventual compensação tributária aos setores produtivos.

Conteúdo Original / Fonte: Redação ContilNet

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