A polĂcia da Espanha concluiu que o jovem de origem brasileira Samuel Luiz Muñiz, de 24 anos, que morreu espancado em Corunha, sofreu violĂŞncia brutal por seis minutos. Amostras de DNA tambĂ©m comprovaram o envolvimento direto no crime dos dois primeiros detidos pelo ataque. As informações foram divulgadas apĂłs quebra de sigilo da investigação, nesta segunda-feira (02/08).
O crime chocou a Espanha e levou milhares de pessoas a saĂrem Ă s ruas de grandes cidades do paĂs em defesa da comunidade LGBTQ. A famĂlia e amigos de Samuel afirmam que se trata de um crime homofĂłbico, porque o primeiro homem que agrediu o jovem começou a discussĂŁo o chamando de “bicha”. Amigas que testemunharam o ataque insistem que o crime foi de Ăłdio, por Samuel ser gay.
O processo segue em aberto, e novas prisões não estão descartadas.
Samuel nasceu no Brasil e chegou à Espanha quando tinha 1 ano. Ele conciliava o trabalho como auxiliar de enfermagem em um lar de idosos com os estudos do curso técnico em prótese dentária.
Os ataques ocorreram próximo a uma casa noturna, na madrugada de 3 de julho. Testemunhas disseram que os suspeitos começaram a atacar Samuel, que estava em uma videochamada, por acharem que ele estava tentando filmá-los.
Os dois principais suspeitos presos sĂŁo o jovem que repreendeu Samuel e um amigo dele, que se juntou ao confronto e agarrou a vĂtima pelas costas, derrubando-a no chĂŁo.
A namorada de um deles também chegou a ser detida, mas responde em liberdade porque não participou diretamente do espancamento, embora tenha ajudado a encobrir o crime. Outros três jovens também foram detidos, dois deles menores de idade.
AgressĂŁo em dois momentos
Mais de 40 depoimentos foram coletados e, juntamente com imagens de câmeras de segurança, análise dos celulares e do acompanhamento das redes sociais dos detidos, ficou confirmado que os agressores, que não tinham antecedentes criminais, não conheciam Samuel.
Os suspeitos, que tĂŞm entre 16 e 25 anos de idade, sĂŁo amigos ou conhecidos entre si e agrediram Samuel ao longo de 150 metros, em dois momentos.
Depois de uma primeira discussão e ataque, um grupo de pessoas perseguiu o brasileiro quando ele já havia atravessado a rua e caminhava sozinho. Neste momento, ocorreram os ataques fatais.
A polĂcia tambĂ©m revelou que a autĂłpsia nĂŁo constatou que a morte foi provocada por um Ăşnico golpe. Portanto, nĂŁo há apenas um Ăşnico autor material do assassinato.
AlĂ©m disso, as investigações mostraram que, alĂ©m de socos e chutes, Samuel foi agredido com uma garrafa de vidro. Testemunhas relatam que um dos agressores portava um objeto de metal, possivelmente uma navalha, mas a polĂcia nĂŁo deu mais detalhes.
Imigrantes tentaram salvar Samuel
Entre as dezenas de testemunhas do ataque, apenas o senegalĂŞs Ibrahima Shakur, de 38 anos, e seu compatriota Magatte tentaram intervir para salvar Samuel.
A quebra de sigilo possibilitou que viesse Ă tona que Shakur, inclusive, recebeu contĂnuos golpes ao se colocar entre os agressores e a vĂtima. Por essa razĂŁo, a juĂza do caso decidiu indiciar, tambĂ©m, cinco dos seis investigados por tentativa de homicĂdio contra Shakur.
Os dois senegaleses sĂŁo imigrantes e, atĂ© o momento do crime, nĂŁo tinham documentos na Europa. Eles receberam autorização de residĂŞncia e de trabalho na Espanha por sua “atitude humanitária” ao tentar salvar a vida de Samuel.


