DenĂșncias, ameaças, troca de acusaçÔes e muita torpeza. Os ingredientes que sempre caracterizaram as disputas internas em partidos tradicionais, tambĂ©m chegou aos partidos de esquerda â ou ao menos um deles, o PSOL, no Acre. A preparação para a renovação do diretĂłrio regional do PSOL, sigla do Partido Socialismo e Liberdade, agremiação de esquerda que surgiu de uma dissidĂȘncia do PT em junho de 2004, vem sendo travada nos bastidores com todos aqueles ingredientes explosivos.
O Partido Ă© simbolizado pelo nĂșmero 50 cercado pelo vermelho, o amarelo e o laranja e tendo como logotipo principal um sol sorridente desenhado pelo cartunista Ziraldo. Alegrias, portanto, sĂł na simbologia. Na prĂĄtica, rasteiras, troca de acusaçÔes, um autĂȘntico caso de polĂcia, numa briga em que sĂł falta dedo no olho. AliĂĄs, brigas fĂsicas jĂĄ foram registradas, quando o militante Jocivan Santos, que estĂĄ por trĂĄs das denĂșncias contra a direção regional, teria sofrido agressĂ”es por parte de um militante ligado Ă direção do PSOL. A direção do partido nega envolvimento na agressĂŁo e diz que Jocivan Santos nĂŁo passa de um bandido.
Pelo menos foi o que garantiu o presidente regional Jamyr Rosas, que disse vir se preparando para ir Ă polĂcia denunciar Jocivan Santos, por injĂșria, difamação e calĂșnia. Santos, por sua vez, diz falar em nome de um grupo de militantes que nĂŁo quer a participação de Rosas na comissĂŁo eleitoral que organiza a renovação do diretĂłrio regional, uma prĂĄtica prevista no estatuto do Partido para ocorrer a cada trĂȘs anos.
Santos diz que Rosas nĂŁo tem condiçÔes morais para conduzir o processo por responder, segundo ele, processos na Justiça por crimes que incluiria atĂ© falsificação de documentos. Rosas, por sua vez, devolve as acusaçÔes dizendo que quem nĂŁo tem condiçÔes morais nenhuma Ă© seu acusador, que seria um velho conhecido da polĂcia por ter sido preso por vĂĄrias vezes por crimes que inclui atĂ© estelionato. âEle jĂĄ esteve bem perto de ir para o presĂdio pela prĂĄtica desses crimesâ, disse Rosas.
Jocivan Santos, por isso, estaria inclusive afastado da atividade partidĂĄria, acrescenta Jamyr Rosas. âEu sou da direção nacional do PSOL. Somos um Partido com instĂąncias. Se um militante nĂŁo estĂĄ satisfeito com a nossa gestĂŁo, que ele vĂĄ Ă instĂąncia superior, que Ă© o diretĂłrio nacional. O que esse rapaz faz, na verdade, Ă© por uma questĂŁo pessoal contra minha pessoa e por isso ele nos ataca para desmoralizar o Partidoâ, disse Jamyr Rosas. âEle serĂĄ responsabilizado criminalmente por isso. NĂłs somos um Partido com mais de trĂȘs mil filiados e 95% desse nĂșmero estĂĄ conosco. O grupo que esse rapaz diz representar nĂŁo chega a 20 pessoas e por isso essa prĂĄtica abominĂĄvel de difamaçãoâ, disse o presidente.
A briga interna no Partido Ă© contrĂĄrio a tudo o que se compreende como um partido de esquerda e que defende o socialismo democrĂĄtico. O PSOL se apresenta como um partido de esquerda ampla, pois nĂŁo funcionaria por centralismo democrĂĄtico e agrega diversas correntes internas desde reformistas atĂ© revolucionĂĄrias. Sua criação foi impulsionada por dissidĂȘncias do Partido dos Trabalhadores  que alegavam discordar das polĂticas do partido. JĂĄ no primeiro ano do Governo Lula, Luciana Genro, HeloĂsa Helena, BabĂĄ e JoĂŁo Fontes vinham descumprindo as orientaçÔes da bancada do PT nas votaçÔes no Congresso e, por votarem contra a reforma da previdĂȘncia do governo Lula, acabaram expulsos pelo diretĂłrio nacional do Partido dos Trabalhadores e impulsionando a formação do PSOL.
Dentre os destaques na atuação do Partido, o entĂŁo deputado estadual Marcelo Freixo presidiu na Assembleia Legislativa no Rio de Janeiro a CPI das MilĂcias, a qual ganhou repercussĂŁo nacional, chamando para depor polĂticos suspeitos de envolvimento com milĂcias. Isso impulsionou o Movimento Ficha Limpa, em que o partido participou de atos favorĂĄveis ao projeto de Lei da Ficha Limpa e trabalhou no Congresso pela sua aprovação.  A vereadora Marielle Franco, asssinada em março de 2018, era uma das lideranças do movimento e do PSOL.
ApĂłs as candidaturas presidenciais de HeloĂsa Helena (2006), PlĂnio de Arruda Sampaio (2010) e Luciana Genro (2014), Guilherme Boulos foi lançado candidato ao Planalto pelo partido em 2018. Desde a eleição de 2014, o PSOL foi o terceiro partido que mais cresceu em nĂșmero de filiados. AtravĂ©s das diversas eleiçÔes, dos parlamentares do partido e dos movimentos onde atua, este faz oposição aos governos e Ă maior parte das polĂticas que se manifestam no Congresso Nacional do Brasil e nos parlamentos estaduais e municipais. Em abril de 2021 o partido possuĂa 260.361 filiados em todo paĂs.


