A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira, 19, com 264 votos favoráveis e 209 contrários, o projeto de lei nÂş 4614 de 2024, que limita o crescimento real do salário mĂnimo. O texto segue para o Senado.
O relator manteve no parecer o trecho que trava o crescimento do piso salarial Ă s regras do arcabouço fiscal. Pela proposta, o salário mĂnimo será corrigido pela inflação mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, mas limitado a atĂ© 2,5%.

A equipe econômica estimativa que a mudança geraria uma alteração de R$ 18,1 bilhões entre 2025 e 2030/Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket/Getty Images
A expectativa inicial da equipe econômica era de que a trava implicasse economia de R$ 2,2 bilhões em 2025 e R$ 9,7 bilhões em 2026. No entanto, a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2023, de 2,9% para 3,2%, aumentará para R$ 15 bilhões a economia com a medida.
BPC flexibilizado
O relator do texto, deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), entretanto, afrouxou as mudanças propostas pela equipe econĂ´mica nas regras de concessĂŁo do BenefĂcio de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiĂŞncia de baixa renda.
O parlamentar derrubou a proposta governista que alterava a definição de deficiĂŞncia, retirou a norma que presume que o patrimĂ´nio representaria garantia de condições financeiras e excluiu a regra sobre coabitação, que ampliava o conceito de famĂlia para o cálculo da renda a ser considerada.
Isnaldo tambĂ©m rejeitou a definição de “pessoa com deficiĂŞncia” proposta no projeto inicial do governo e retomou o conceito original da lei que regulamenta o BPC. Ele, porĂ©m, inseriu dispositivos que condicionam o acesso ao benefĂcio a uma “avaliação que ateste deficiĂŞncia de grau moderado ou grave”.
Em outra alteração, o parlamentar excluiu a regra de coabitação para cĂ´mputo da renda familiar. Na justificativa, Isnaldo cita uma “evidente dificuldade de aplicação” da norma. Segundo ele, Ă© possĂvel afirmar que a alteração resultará em perda do benefĂcio por muitas pessoas, que ficarĂŁo desamparadas pelo simples fato de que um familiar, que sequer vive sob o mesmo teto, possuir condições de lhes prestar auxĂlio, sem qualquer garantia de que irá, de fato, fazĂŞ-lo.
O deputado também rejeitou a regra do projeto inicial, segundo a qual, para a concessão do BPC, seria considerado como meio de prover a própria manutenção a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive de terras. Para o relator, a regra confunde patrimônio com rendimento, “como se a posse de um bem representasse, por si só, alguma garantia de condições financeiras de garantir seu próprio sustento”, diz o parecer.
O texto manteve a obrigatoriedade de cadastro biomĂ©trico para concessĂŁo, manutenção e renovação de benefĂcios de seguridade social. AlĂ©m disso, prevĂŞ que o Proagro respeite a disponibilidade orçamentária. O projeto muda ainda os parâmetros relativos Ă permanĂŞncia no Bolsa FamĂlia, incluindo o estabelecimento de Ăndices máximos de famĂlias unipessoais.
Fundo Constitucional do DF
O relator retirou do texto o trecho que estabelecia que a despesa federal alocada no Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) cresceria limitada ao ĂŤndice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Atualmente, o fundo Ă© corrigido pela Receita Corrente LĂquida (RCL).
O FCDF, que Ă© mantido com dinheiro da UniĂŁo, Ă© usado para manter a PolĂcia Civil, a PolĂcia Penal, a PolĂcia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, alĂ©m de dar assistĂŞncia Ă execução de serviços pĂşblicos de saĂşde e educação. Isnaldo excluiu todo o trecho referente ao fundo.
A equipe econômica estimativa que a mudança geraria uma alteração de R$ 18,1 bilhões entre 2025 e 2030.
