Cláudio Castro é alvo de buscas da PF por investimento de R$ 970 milhões

Operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, apura aportes do fundo de servidores em títulos do Banco Master

Por Fhagner Soares, ContilNet 26/05/2026 às 05:11
Polícia Federal cumpre 10 mandados no Rio e no DF para apurar uso de recursos de aposentadorias em papéis de alto risco/ Foto: Reprodução

O governador licenciado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, foi o alvo principal de uma nova operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (26). A ação investiga a responsabilidade em aportes financeiros bilionários realizados pelo RioPrevidência — o fundo previdenciário dos servidores públicos do estado — no Banco Master, instituição que posteriormente entrou em colapso e sofreu liquidação decretada pelo Banco Central.

Ao todo, agentes federais cumpriram 10 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no estado do Rio de Janeiro e no Distrito Federal. As ordens judiciais e as quebras de sigilo foram expressamente autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), devido às prerrogativas de foro de autoridades mencionadas no inquérito.

A Polícia Federal concentra as investigações em aplicações financeiras que somam aproximadamente R$ 970 milhões. O montante, oriundo do caixa previdenciário do funcionalismo fluminense, foi integralmente utilizado para a aquisição de letras financeiras que haviam sido emitidas pelo Banco Master antes de sua insolvência de mercado.

O principal objetivo das buscas realizadas nesta terça-feira é mapear a cadeia de comando da administração estadual para esclarecer quem foram os agentes públicos que autorizaram formalmente as transferências milionárias. Os investigadores da PF buscam apreender documentos, mídias digitais e relatórios técnicos que comprovem quais critérios econômicos fundamentaram a escolha desses ativos privados.

A linha de apuração trabalha com a hipótese de que as reservas destinadas ao pagamento de aposentadorias e pensões de milhares de servidores públicos estaduais foram deliberadamente expostas a operações de mercado classificadas como de altíssimo risco.

O desdobramento da operação agrava a situação fiscal e política do Rio de Janeiro. O episódio é tratado por analistas e técnicos do setor público como uma das principais crises financeiras e de governabilidade associadas à gestão de Cláudio Castro, uma vez que o prejuízo atinge diretamente o patrimônio líquido do RioPrevidência, órgão cuja saúde financeira já vinha sendo monitorada pelos órgãos de controle do estado.

Até a publicação desta reportagem, a defesa de Cláudio Castro e os representantes legais do espólio do Banco Master não haviam se manifestado publicamente sobre o cumprimento dos mandados da Polícia Federal.

Conteúdo Original / Fonte: Redação ContilNet

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