Conheça as propostas de Bolsonaro e Lula em relação ao Auxílio Brasil

Por Marina, ContilNet 10/10/2022 Ă s 10:34
Foto: reprodução/Metrópoles

Permeiam as propostas dos candidatos Ă  PresidĂȘncia da RepĂșblica as polĂ­ticas pĂșblicas de transferĂȘncia de renda. O programa AuxĂ­lio Brasil, no valor de R$ 600, foi visto como uma das estratĂ©gias para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em seu plano de governo, promete manter o valor do benefĂ­cio. No entanto, no Projeto de Lei OrçamentĂĄria Anual (PLOA) enviado ao Congresso Nacional para 2023, o Executivo previu o valor mĂ©dio de R$ 405.

O valor atual, que serĂĄ pago atĂ© dezembro aos beneficiĂĄrios, foi aprovado pelo Congresso na PEC que concedeu benefĂ­cios em meio ao perĂ­odo eleitoral — estratĂ©gia eleitoreira, segundo a oposição no parlamento. PorĂ©m, quando questionado, Bolsonaro prometeu negociar com deputados e senadores para manter os R$ 600. Quanto ao salĂĄrio mĂ­nimo, a proposta Ă© de R$ 1.302 para 2023.

Recentemente, o presidente fez um novo movimento em busca do voto feminino, utilizando o auxĂ­lio. Bolsonaro anunciou o pagamento do 13Âș do benefĂ­cio para 17 milhĂ”es de mulheres chefes de famĂ­lia a partir de 2023. Outra estratĂ©gia do governo para atrair o eleitor mais pobre Ă© a antecipação do pagamento do AuxĂ­lio Brasil para beneficiĂĄrios.

Entre 19 e 30 de setembro, o benefĂ­cio foi pago a 20,65 milhĂ”es de famĂ­lias, 450 mil a mais do que em agosto, quando 20,2 milhĂ”es tiveram direito Ă  renda. Segundo o Ășltimo levantamento divulgado pelo Datafolha, 31% dos eleitores que recebem o auxĂ­lio avaliam o governo de Bolsonaro como Ăłtimo ou bom. Na semana anterior, o Ă­ndice era de 27%.

Esse Ă© o maior Ă­ndice de aprovação entre beneficiĂĄrios desde que o levantamento começou a ser feito, hĂĄ um mĂȘs. JĂĄ os que consideram a gestĂŁo de Bolsonaro ruim ou pĂ©ssima sĂŁo 41% — antes eram 45%. Os que definem como regular correspondem a 28%, ante 27% na pesquisa anterior.

A jogada em busca da reeleição foi percebida pelo eleitorado. Segundo a pesquisa Datafolha divulgada no Ășltimo dia 26, 55% dos eleitores que recebem o benefĂ­cio afirmam que a situação econĂŽmica do paĂ­s piorou nos Ășltimos meses e entendem que o aumento foi “jogada eleitoreira”.

Apesar de o governo ter obtido avaliaçÔes mais positivas, o que poderia sugerir que a estratĂ©gia da campanha de Bolsonaro funcionou, tal parecer nĂŁo se restringe apenas entre quem recebe o benefĂ­cio. AlĂ©m disso, hĂĄ o impacto nos cofres pĂșblicos: o reajuste do valor mĂ­nimo do AuxĂ­lio para R$ 600 refletiu, nas contas do Executivo, em um aumento de R$ 7,5 bilhĂ”es nas despesas, no mĂȘs de agosto.

O que dizem os candidatos

As propostas dos dois candidatos líderes nas pesquisas a respeito do Auxílio Brasil, que hoje atende 20,65 milhÔes de famílias em todo o país.

Bolsonaro
Em propaganda eleitoral veiculada no inĂ­cio do mĂȘs de setembro, o presidente e candidato Ă  reeleição propĂŽs o valor de R$ 800 para o benefĂ­cio — R$ 200 a mais extra para beneficiĂĄrios que conseguirem emprego, em cima do valor de R$ 600 que jĂĄ foram anunciados. O Orçamento para 2023 enviado ao Congresso prevĂȘ pagamento do benefĂ­cio em R$ 405. Apesar disso, Bolsonaro diz que valor extra ficarĂĄ dentro do teto.

Lula
Caso eleito, o petista afirma que retomarĂĄ o programa Bolsa FamĂ­lia, mantendo o valor de R$ 600 para o benefĂ­cio. Mas, para alĂ©m disso, o ex-presidente pretende pagar um bĂŽnus de R$ 150 para cada filho com atĂ© 6 anos. O intuito Ă© que a medida seja mantida atĂ© o mercado de trabalho estar aquecido. “Renda garantida para a alimentação dos mais pobres e para girar a roda da economia”, diz o texto.

Sustentabilidade

Apesar da discussĂŁo sobre os valores e a manutenção dos repasses para as famĂ­lias que necessitam da renda, pouco se fala sobre o desenho da polĂ­tica pĂșblica e sua sustentabilidade a mĂ©dio e longo prazo. Nesse sentido, o professor e analista polĂ­tico Gabriel Petter avalia que o auxĂ­lio precisa ser o eixo de diferentes polĂ­ticas sociais, de maneira integrada, e nĂŁo pode ser apenas em contexto “emergencial”.

“Quando se usa o termo emergencial, remetemos a um momento bastante especĂ­fico e de uma polĂ­tica que acabou beneficiando atĂ© mesmo pessoas que nĂŁo tinham o perfil socioeconĂŽmico adequado para recebĂȘ-lo. O mais adequado Ă© que esse programa se torne numa polĂ­tica permanente”, ressaltou. Petter aponta, ainda, que, para fomentar a polĂ­tica pĂșblica, Ă© fundamental retomar o crescimento econĂŽmico “para que o contingente de pessoas atendidas por programas dessa natureza nĂŁo seja muito grande”.

O analista econĂŽmico e CEO da Vallus, Caio MastrodomĂȘnico, ressalta que programas de transferĂȘncia de renda sĂŁo importantes porque ajudam a fomentar as microeconomias. “Uma famĂ­lia que recebe aquela determinada quantia de auxĂ­lio, vai gastar ali, dentro da ĂĄrea, da regiĂŁo em que mora. Por isso, ele ajuda a fomentar a microeconomia, que, no fim das contas, tambĂ©m acelera a macroeconomia. É uma forma que o governo tem de se autofinanciar economicamente”, avaliou.

A cientista polĂ­tica e advogada especializada em direito tributĂĄrio Beatriz Finochio acredita que Ă© estratĂ©gico manter-se uma polĂ­tica de transferĂȘncia de renda por dois motivos. “Primeiro, Ă© uma medida necessĂĄria e que de fato precisa ser mantida, porĂ©m, de maneira temporĂĄria e com requisitos prĂ©-estabelecidos, e dando condiçÔes para essas famĂ­lias de saĂ­rem da linha da pobreza. O outro ponto estratĂ©gico, e nĂŁo tĂŁo nobre, Ă© justamente a necessidade de manter o auxĂ­lio para que se garanta votos na eleição e se mantenha de maneira popular a candidatura”, destacou.

Para o especialista em polĂ­ticas pĂșblicas e regulação Rodrigo Alberto Correia da Silva, um benefĂ­cio como o AuxĂ­lio Brasil nĂŁo pode ter carĂĄter permanente. “Acredito que as polĂ­ticas de transferĂȘncia de renda direta, elas tĂȘm uma sĂ©rie de dificuldades que acabam fazendo com que nĂŁo funcionem bem”, avalia.

“Acho que a primeira delas Ă© o incentivo que estĂĄ ligado aos critĂ©rios de adesĂŁo, Ă  barreira de entrada para essa polĂ­tica que pode acabar incentivando a informalidade, ou atĂ© a inatividade profissional. Por outro lado, vocĂȘ nĂŁo tem um controle sobre a destinação daquele recurso. Como vocĂȘ pode gerar um incentivo ruim e ao mesmo tempo vocĂȘ nĂŁo tem como garantir que aquele recurso estĂĄ sendo destinado para uma necessidade bĂĄsica, eu nĂŁo vejo isso como uma polĂ­tica positiva estrutural, sĂł uma polĂ­tica passageira em algumas situaçÔes.”

FRASE

Uma famĂ­lia que recebe aquela determinada quantia de auxĂ­lio, vai gastar ali, dentro da ĂĄrea, da regiĂŁo em que mora. Por isso, ele ajuda a fomentar a microeconomia, que no final das contas tambĂ©m acelera a macroeconomia”
Caio MastrodomĂȘnico, analista econĂŽmico

O que dizem os candidatos

As propostas dos dois candidatos líderes nas pesquisas a respeito do Auxílio Brasil, que hoje atende 20,65 milhÔes de famílias em todo o país.

Bolsonaro

Em propaganda eleitoral veiculada no inĂ­cio do mĂȘs de setembro, o presidente e candidato Ă  reeleição propĂŽs o valor de R$ 800 para o benefĂ­cio — R$ 200 a mais extra para beneficiĂĄrios que conseguirem emprego, em cima do valor de R$ 600 que jĂĄ foram anunciados. O Orçamento para 2023 enviado ao Congresso prevĂȘ pagamento do benefĂ­cio em R$ 405. Apesar disso, Bolsonaro diz que valor extra ficarĂĄ dentro do teto.

Lula

Caso eleito, o petista afirma que retomarĂĄ o programa Bolsa FamĂ­lia, mantendo o valor de R$ 600 para o benefĂ­cio. Mas, para alĂ©m disso, o ex-presidente pretende pagar um bĂŽnus de R$ 150 para cada filho com atĂ© 6 anos. O intuito Ă© que a medida seja mantida atĂ© o mercado de trabalho estar aquecido. “Renda garantida para a alimentação dos mais pobres e para girar a roda da economia”, diz o texto.

ConteĂșdo Original / Fonte: CORREIO BRAZILIENSE

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