Permeiam as propostas dos candidatos Ă PresidĂȘncia da RepĂșblica as polĂticas pĂșblicas de transferĂȘncia de renda. O programa AuxĂlio Brasil, no valor de R$ 600, foi visto como uma das estratĂ©gias para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em seu plano de governo, promete manter o valor do benefĂcio. No entanto, no Projeto de Lei OrçamentĂĄria Anual (PLOA) enviado ao Congresso Nacional para 2023, o Executivo previu o valor mĂ©dio de R$ 405.
O valor atual, que serĂĄ pago atĂ© dezembro aos beneficiĂĄrios, foi aprovado pelo Congresso na PEC que concedeu benefĂcios em meio ao perĂodo eleitoral â estratĂ©gia eleitoreira, segundo a oposição no parlamento. PorĂ©m, quando questionado, Bolsonaro prometeu negociar com deputados e senadores para manter os R$ 600. Quanto ao salĂĄrio mĂnimo, a proposta Ă© de R$ 1.302 para 2023.
Recentemente, o presidente fez um novo movimento em busca do voto feminino, utilizando o auxĂlio. Bolsonaro anunciou o pagamento do 13Âș do benefĂcio para 17 milhĂ”es de mulheres chefes de famĂlia a partir de 2023. Outra estratĂ©gia do governo para atrair o eleitor mais pobre Ă© a antecipação do pagamento do AuxĂlio Brasil para beneficiĂĄrios.
Entre 19 e 30 de setembro, o benefĂcio foi pago a 20,65 milhĂ”es de famĂlias, 450 mil a mais do que em agosto, quando 20,2 milhĂ”es tiveram direito Ă renda. Segundo o Ășltimo levantamento divulgado pelo Datafolha, 31% dos eleitores que recebem o auxĂlio avaliam o governo de Bolsonaro como Ăłtimo ou bom. Na semana anterior, o Ăndice era de 27%.
Esse Ă© o maior Ăndice de aprovação entre beneficiĂĄrios desde que o levantamento começou a ser feito, hĂĄ um mĂȘs. JĂĄ os que consideram a gestĂŁo de Bolsonaro ruim ou pĂ©ssima sĂŁo 41% â antes eram 45%. Os que definem como regular correspondem a 28%, ante 27% na pesquisa anterior.
A jogada em busca da reeleição foi percebida pelo eleitorado. Segundo a pesquisa Datafolha divulgada no Ășltimo dia 26, 55% dos eleitores que recebem o benefĂcio afirmam que a situação econĂŽmica do paĂs piorou nos Ășltimos meses e entendem que o aumento foi “jogada eleitoreira”.
Apesar de o governo ter obtido avaliaçÔes mais positivas, o que poderia sugerir que a estratĂ©gia da campanha de Bolsonaro funcionou, tal parecer nĂŁo se restringe apenas entre quem recebe o benefĂcio. AlĂ©m disso, hĂĄ o impacto nos cofres pĂșblicos: o reajuste do valor mĂnimo do AuxĂlio para R$ 600 refletiu, nas contas do Executivo, em um aumento de R$ 7,5 bilhĂ”es nas despesas, no mĂȘs de agosto.
O que dizem os candidatos
As propostas dos dois candidatos lĂderes nas pesquisas a respeito do AuxĂlio Brasil, que hoje atende 20,65 milhĂ”es de famĂlias em todo o paĂs.
Bolsonaro
Em propaganda eleitoral veiculada no inĂcio do mĂȘs de setembro, o presidente e candidato Ă reeleição propĂŽs o valor de R$ 800 para o benefĂcio â R$ 200 a mais extra para beneficiĂĄrios que conseguirem emprego, em cima do valor de R$ 600 que jĂĄ foram anunciados. O Orçamento para 2023 enviado ao Congresso prevĂȘ pagamento do benefĂcio em R$ 405. Apesar disso, Bolsonaro diz que valor extra ficarĂĄ dentro do teto.
Lula
Caso eleito, o petista afirma que retomarĂĄ o programa Bolsa FamĂlia, mantendo o valor de R$ 600 para o benefĂcio. Mas, para alĂ©m disso, o ex-presidente pretende pagar um bĂŽnus de R$ 150 para cada filho com atĂ© 6 anos. O intuito Ă© que a medida seja mantida atĂ© o mercado de trabalho estar aquecido. “Renda garantida para a alimentação dos mais pobres e para girar a roda da economia”, diz o texto.
Sustentabilidade
Apesar da discussĂŁo sobre os valores e a manutenção dos repasses para as famĂlias que necessitam da renda, pouco se fala sobre o desenho da polĂtica pĂșblica e sua sustentabilidade a mĂ©dio e longo prazo. Nesse sentido, o professor e analista polĂtico Gabriel Petter avalia que o auxĂlio precisa ser o eixo de diferentes polĂticas sociais, de maneira integrada, e nĂŁo pode ser apenas em contexto “emergencial”.
“Quando se usa o termo emergencial, remetemos a um momento bastante especĂfico e de uma polĂtica que acabou beneficiando atĂ© mesmo pessoas que nĂŁo tinham o perfil socioeconĂŽmico adequado para recebĂȘ-lo. O mais adequado Ă© que esse programa se torne numa polĂtica permanente”, ressaltou. Petter aponta, ainda, que, para fomentar a polĂtica pĂșblica, Ă© fundamental retomar o crescimento econĂŽmico “para que o contingente de pessoas atendidas por programas dessa natureza nĂŁo seja muito grande”.
O analista econĂŽmico e CEO da Vallus, Caio MastrodomĂȘnico, ressalta que programas de transferĂȘncia de renda sĂŁo importantes porque ajudam a fomentar as microeconomias. “Uma famĂlia que recebe aquela determinada quantia de auxĂlio, vai gastar ali, dentro da ĂĄrea, da regiĂŁo em que mora. Por isso, ele ajuda a fomentar a microeconomia, que, no fim das contas, tambĂ©m acelera a macroeconomia. Ă uma forma que o governo tem de se autofinanciar economicamente”, avaliou.
A cientista polĂtica e advogada especializada em direito tributĂĄrio Beatriz Finochio acredita que Ă© estratĂ©gico manter-se uma polĂtica de transferĂȘncia de renda por dois motivos. “Primeiro, Ă© uma medida necessĂĄria e que de fato precisa ser mantida, porĂ©m, de maneira temporĂĄria e com requisitos prĂ©-estabelecidos, e dando condiçÔes para essas famĂlias de saĂrem da linha da pobreza. O outro ponto estratĂ©gico, e nĂŁo tĂŁo nobre, Ă© justamente a necessidade de manter o auxĂlio para que se garanta votos na eleição e se mantenha de maneira popular a candidatura”, destacou.
Para o especialista em polĂticas pĂșblicas e regulação Rodrigo Alberto Correia da Silva, um benefĂcio como o AuxĂlio Brasil nĂŁo pode ter carĂĄter permanente. “Acredito que as polĂticas de transferĂȘncia de renda direta, elas tĂȘm uma sĂ©rie de dificuldades que acabam fazendo com que nĂŁo funcionem bem”, avalia.
“Acho que a primeira delas Ă© o incentivo que estĂĄ ligado aos critĂ©rios de adesĂŁo, Ă barreira de entrada para essa polĂtica que pode acabar incentivando a informalidade, ou atĂ© a inatividade profissional. Por outro lado, vocĂȘ nĂŁo tem um controle sobre a destinação daquele recurso. Como vocĂȘ pode gerar um incentivo ruim e ao mesmo tempo vocĂȘ nĂŁo tem como garantir que aquele recurso estĂĄ sendo destinado para uma necessidade bĂĄsica, eu nĂŁo vejo isso como uma polĂtica positiva estrutural, sĂł uma polĂtica passageira em algumas situaçÔes.”
FRASE
Uma famĂlia que recebe aquela determinada quantia de auxĂlio, vai gastar ali, dentro da ĂĄrea, da regiĂŁo em que mora. Por isso, ele ajuda a fomentar a microeconomia, que no final das contas tambĂ©m acelera a macroeconomia”
Caio MastrodomĂȘnico, analista econĂŽmico
O que dizem os candidatos
As propostas dos dois candidatos lĂderes nas pesquisas a respeito do AuxĂlio Brasil, que hoje atende 20,65 milhĂ”es de famĂlias em todo o paĂs.
Bolsonaro
Em propaganda eleitoral veiculada no inĂcio do mĂȘs de setembro, o presidente e candidato Ă reeleição propĂŽs o valor de R$ 800 para o benefĂcio â R$ 200 a mais extra para beneficiĂĄrios que conseguirem emprego, em cima do valor de R$ 600 que jĂĄ foram anunciados. O Orçamento para 2023 enviado ao Congresso prevĂȘ pagamento do benefĂcio em R$ 405. Apesar disso, Bolsonaro diz que valor extra ficarĂĄ dentro do teto.
Lula
Caso eleito, o petista afirma que retomarĂĄ o programa Bolsa FamĂlia, mantendo o valor de R$ 600 para o benefĂcio. Mas, para alĂ©m disso, o ex-presidente pretende pagar um bĂŽnus de R$ 150 para cada filho com atĂ© 6 anos. O intuito Ă© que a medida seja mantida atĂ© o mercado de trabalho estar aquecido. “Renda garantida para a alimentação dos mais pobres e para girar a roda da economia”, diz o texto.

