O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o deputado federal Mario Frias (PL-SP) de deixar o Brasil e de manter contato com os demais investigados na operação da Polícia Federal que apura suposto desvio de recursos públicos para a produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o Metrópoles, decisão havia sido tomada na quinta-feira (3), mas o sigilo foi retirado nesta quinta (10), mesmo dia em que a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão contra pessoas e empresas ligadas à produção da cinebiografia. Frias está entre os alvos da operação.
Além da proibição de deixar o país, os investigados estão impedidos de manter contato entre si. A determinação também prevê o recolhimento dos passaportes eventualmente emitidos em nome dos alvos.
Segundo Dino, as medidas cautelares são necessárias diante do risco de interferência na investigação. A decisão cita a possibilidade de combinação de depoimentos, alinhamento de versões e ocultação ou destruição de provas.
Investigação sobre emendas
A PF apura se emendas parlamentares destinadas por Mario Frias foram desviadas para financiar a produção de Dark Horse. O deputado destinou R$ 1 milhão ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida pela empresária Karina Gama, também alvo da operação.
O recurso deveria financiar um programa de empreendedorismo em Pirassununga (SP), mas, segundo a investigação, o projeto não teria sido executado. A suspeita é de que o dinheiro tenha sido direcionado para a produção do filme.
Frias também atuou como produtor-executivo e roteirista da cinebiografia.
A operação, denominada Make Up, também mira Karina Gama e entidades ligadas a ela, como o ICB e a Academia Nacional de Cultura (ANC). As buscas ocorreram em endereços no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.
Entre os crimes investigados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Durante a operação, agentes da PF apreenderam armas e veículos de luxo em endereços relacionados aos investigados. Sete armas registradas em nome de Mario Frias foram apreendidas em um endereço diferente daquele autorizado, situação que também será investigada.
A investigação aponta ainda movimentações financeiras suspeitas entre empresas relacionadas ao caso. De acordo com a PF, os levantamentos indicaram circulação de centenas de milhões de reais entre empresas que integram o esquema sob apuração.
Além do inquérito relatado por Dino, o filme também é alvo de outra investigação no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça.
