O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo pediram formalmente a integrantes do governo de Donald Trump que não cedam ao que classificam como uma “provocação” promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao iminente tarifaço comercial.
A ofensiva diplomática paralela ocorreu durante uma série de reuniões bilaterais mantidas pela dupla com parlamentares do Partido Republicano e assessores graduados de Trump, na segunda-feira (22) e nesta terça-feira (23), na capital dos Estados Unidos. Conforme relatos de aliados políticos, o ex-parlamentar e o jornalista sustentaram a tese de que Lula estaria atuando deliberadamente para forçar a aplicação das barreiras alfandegárias norte-americanas, com o intuito de politizar a medida econômica.
Para embasar o argumento levado à equipe do presidente americano, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo listaram uma sequência de medidas recentes adotadas pelo Palácio do Planalto no decorrer das tratativas internacionais. Entre os pontos destacados como hostis pela comitiva brasileira na Casa Branca estão:
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As manifestações públicas de crítica direta direcionadas a Donald Trump por parte de Lula;
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A decisão do governo brasileiro de não enviar um orador oficial para a audiência pública sobre o tarifaço, realizada em 6 de junho;
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A recente emissão de títulos da dívida pública brasileira atrelados à moeda chinesa.
Segundo os articuladores da oposição, caso a gestão Trump confirme a imposição de tarifas severas contra os produtos brasileiros, o governo americano estaria “caindo na armadilha” desenhada pela diplomacia petista.
Em contrapartida, o governo federal rejeita a interpretação da oposição e adota uma estratégia focada no pragmatismo institucional. Auxiliares diretos de Lula enfatizam que a ausência de discursos na audiência norte-americana de 6 de junho fez parte de uma decisão tática e consensual.
O Palácio do Planalto avalia que a principal via de negociação deve ser o canal direto bilateral estabelecido pessoalmente entre Lula e Trump durante o encontro presidencial de maio. Sob esse guarda-chuva diplomático, representantes técnicos das administrações de Brasília e de Washington realizam reuniões de trabalho semanais, cenário em que o Brasil apresenta formalmente os dados e argumentos jurídicos e econômicos contrários à imposição de taxas.
A assessoria palaciana ressalta ainda que a referida audiência promovida pelos americanos possui caráter consultivo, sendo direcionada a empresários e entidades da sociedade civil que não dispõem de acesso direto ao primeiro escalão de Trump. Diante desse quadro, o governo brasileiro optou por participar do evento estritamente na condição de ouvinte, monitorando os debates sem a necessidade de intervenções públicas na tribuna.
