O sargento do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) conduzido pela Polícia Militar à delegacia no Distrito Federal, nesta segunda-feira (15), afirmou em depoimento formal que a arma de fogo registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro que transportava passava por manutenção devido a uma pane mecânica. O militar justificou aos investigadores que a posse temporária da pistola tinha como única finalidade a execução de um reparo técnico na estrutura interna do objeto.
De acordo com o termo de declarações ao qual a reportagem teve acesso, o integrante da segurança presidencial confirmou a propriedade de Bolsonaro sobre o armamento e detalhou que o recolhimento ocorreu após a identificação de um defeito no percussor —componente mecânico essencial que se choca contra a espoleta do cartucho para deflagrar o projétil.
O flagrante ocorreu durante uma fiscalização tática rodoviária de rotina deflagrada por equipes da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na região do Pistão Norte, em Taguatinga (DF). Ao realizarem a vistoria interna no veículo conduzido pelo sargento, os policiais militares localizaram a arma e, ao cruzarem os dados de identificação do chassi nos sistemas de controle, constataram que o registro ativo estava vinculado diretamente ao nome do ex-mandatário da República.
Diante da desconexão entre o portador e o titular do registro federal da arma, a equipe da PMDF realizou a condução do sargento até a 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul). No local, o militar apresentou as credenciais de sua identificação funcional e as licenças de seu porte de arma individual, argumentando que se identificou prontamente como servidor da ativa do GSI desde o início do procedimento de abordagem na rodovia.
Aos investigadores da Polícia Civil, o sargento sustentou a versão de que a pistola foi cedida para os reparos por apresentar uma falha de engenharia considerada de simples solução por especialistas. O depoente declarou que retirou o equipamento com o proprietário na segunda-feira (15) e que o cronograma logístico previa a devolução do item consertado já no dia seguinte, terça-feira (16).
A ocorrência foi formalizada pelas autoridades policiais civis, que instauraram um procedimento de apuração de fatos para validar a autenticidade dos documentos apresentados e apurar a legalidade jurídica do transporte de armamento privado de terceiros por agentes de segurança pública. Até a publicação desta reportagem, a Polícia Civil do DF informou que não houve a lavratura de prisão em flagrante e o militar foi liberado após o encerramento do depoimento.

