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Política

EUA propõem taxa de 25% a produtos do Brasil após concluir investigação

Por Fhagner Soares, ContilNet 02/06/2026 às 06:08

Órgão dos EUA elenca ordens secretas da Justiça brasileira e privilégios ao Pix como fatores que restringem empresas americanas/ Foto: Reprodução

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre as importações de uma série de produtos brasileiros. A medida foi anunciada como uma retaliação a práticas comerciais consideradas “irrazoáveis” pelo governo norte-americano. A recomendação consta no relatório final da investigação aberta pela Casa Branca para auditar o ecossistema do Pix e o ambiente de negócios no Brasil, divulgado na última segunda-feira (1º).

O documento técnico entra agora em fase de consultas e audiências públicas antes de uma deliberação definitiva. A imposição final do novo tarifaço depende exclusivamente do aval do presidente Donald Trump.

A investigação concluiu que determinados atos, marcos regulatórios e políticas institucionais adotados pelo Brasil são “irrazoáveis ou discriminatórios”, além de “onerarem ou restringirem o comércio dos EUA”, abrindo margem para contestações legais. Para embasar a punição, Washington se amparou na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

As seis frentes de acusação dos EUA

O relatório final do USTR divide as queixas norte-americanas em seis eixos principais:

A proposta de retaliação estipula uma lista de exceções que ficariam livres do imposto de 25%. A cláusula de salvaguarda abrange materiais informativos, doações humanitárias e uma seleção de commodities específicas, como café, frutas e determinados tipos de carnes. Segundo o escritório comercial, a dispensa tributária visa impedir o desabastecimento crônico desses alimentos no mercado interno norte-americano.

A condução do processo consultou mais de 30 especialistas e somou 295 comentários e réplicas formais. O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, informou que o canal para o envio de manifestações por escrito ficará aberto até o dia 1º de julho.

O cronograma prevê que os pedidos de participação presencial nas discussões sejam encaminhados até 22 de junho, com a primeira audiência pública agendada para o dia 6 de julho.

O procedimento investigativo foi disparado em 15 de julho do ano passado por ordem direta de Donald Trump. O movimento ocorreu na esteira de outra fricção diplomática, deflagrada logo após os EUA sobretaxarem produtos brasileiros em 50% sob a alegação de concorrência desleal.

Ao longo dos últimos meses, o contencioso tarifário motivou sucessivas rodadas de negociações bilaterais entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, culminando na reversão parcial das primeiras sanções. O encontro presencial mais recente entre os dois mandatários ocorreu em maio, em reunião bilateral na Casa Branca.

Apesar da nova ofensiva do USTR, Jamieson Greer classificou o diálogo com a administração brasileira como “construtivo” e indicou que as tratativas diplomáticas ganharam tração nas últimas semanas. “Iniciei esta investigação ao abrigo da Seção 301 a pedido do presidente Trump para abordar preocupações antigas e generalizadas dos EUA relativamente a certas políticas e práticas comerciais do Brasil”, ponderou o conselheiro comercial de Washington.

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