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Haddad diz que rotular facções como terroristas nos EUA trará prejuízos à economia

Por Fhagner Soares, ContilNet 30/05/2026 às 19:32

Pré-candidato do PT afirmou no Largo do Arouche que segurança pública não deve ser tratada sob a lógica de defesa nacional ou interferência de Washington/ Foto: Reprodução

O ex-ministro e pré-candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou neste sábado (30) o seu adversário político, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), por endossar a articulação internacional liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar fluminense atua junto ao governo dos Estados Unidos para que Washington classifique formalmente as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A declaração do petista foi dada durante entrevista coletiva no Largo do Arouche, na região central da capital paulista, onde Haddad comandava uma agenda pública voltada aos debates de seu plano de governo.

Na última quinta-feira (28), Tarcísio de Freitas havia parabenizado publicamente Flávio Bolsonaro pela iniciativa em suas redes sociais. Na ocasião, o atual governador paulista afirmou que o “PCC e o CV não são facções: são terroristas armados contra o povo brasileiro e com atuação além das nossas fronteiras”.

Para Haddad, a postura do chefe do Executivo paulista gera estranheza e o movimento da família Bolsonaro configura um retrocesso diplomático. “O presidente Lula fez inúmeras reuniões com o governo americano, isso nunca foi nem pauta. Então, os Bolsonaro, Flávio, Eduardo, eles continuam jogando contra o país. E o estranho é o governador Tarcísio elogiar isso, como se isso fosse um grande gesto. Isso não é um grande gesto, isso depõe contra o país, tá bom?”, rebateu o ex-ministro.

Ao ser questionado sobre as estratégias adequadas para o enfrentamento das organizações criminosas, o pré-candidato do PT defendeu que o combate ao crime organizado deve ser tratado sob a ótica estrita da segurança pública, e não como uma pauta de defesa nacional.

O petista alertou que a eventual interferência direta de uma potência estrangeira na classificação jurídica do crime organizado nacional engessará os canais oficiais de inteligência policial já existentes entre os dois países.

“Quando você cria uma hierarquia entre dois países, como eles estão fazendo, você trava processos de cooperação técnica, de troca de informações que estavam em curso e onera os custos para a economia brasileira”, pontuou o candidato da oposição.

Haddad sublinhou que o alinhamento histórico entre Brasília e Washington sempre foi pautado pela cooperação mútua e horizontal, independentemente das trocas de comando nos regimes de ambos os lados. Ele aproveitou a oportunidade para desferir críticas ideológicas aos parlamentares do PL.

“Essa turma mais de extrema direita devia pensar nos prejuízos que eles causaram na pandemia e agora nos prejuízos que eles estão causando à relação interestatal, entre duas nações que sempre cooperaram entre si. Nunca houve desavença, nós sempre cooperamos, Brasil e Estados Unidos, né? Em todos os governos.”

O ex-ministro assegurou ainda que o setor produtivo nacional já começou a manifestar contrariedade com a medida, temendo sanções econômicas ou barreiras burocráticas internacionais acessórias que possam encarecer o fluxo comercial do Brasil no exterior.

De acordo com Haddad, a proximidade da família Bolsonaro com o ex-presidente americano Donald Trump e a atual cúpula republicana atua contra a soberania das instituições nacionais.

“É fumaça, que encarece, cria uma subserviência do Brasil, e isso pedido por brasileiros. Quer dizer, tem um governo no Brasil, né? Isso tem que ser acertado com o governo brasileiro”, concluiu o pré-candidato petista.

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