Flávio Bolsonaro diz usar colete balístico por temor de atentado e cita facada no pai

Senador e pré-candidato à Presidência associa proteção a ambiente de 'ódio' e 'desumanização'

Por Redação ContilNet 25/05/2026 às 06:07

O senador Flávio Bolsonaro afirmou publicamente utilizar um colete à prova de balas de forma contínua sob o receio de ser alvo de um atentado de cunho político. Segundo o parlamentar, a iniciativa preventiva é motivada pelo episódio de 2018, quando seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi atingido por uma facada durante uma agenda oficial de campanha eleitoral em Juiz de Fora (MG).

A declaração foi divulgada por meio de um registro audiovisual compartilhado nas redes sociais do senador, que se posiciona como pré-candidato à Presidência da República. No vídeo, Flávio aparece vestindo o equipamento de proteção na cor preta antes de cobri-lo com uma camiseta da seleção brasileira de futebol. Ele justificou o uso do aparato de segurança ao descrever o cenário político atual como um ambiente permeado por sentimentos de “ódio” e “desumanização”.

Durante a exibição do material, o parlamentar pontuou que não pretende flexibilizar suas rotinas de segurança.

“Eles já tentaram fazer com meu pai, não conseguiram”, declarou o senador na gravação, complementando ao final do vídeo que não se deixará intimidar por pressões de opositores: “Aqui é sangue de Bolsonaro”.

Paralelo bíblico e vazamento de áudios

O posicionamento ocorre em uma sequência de manifestações digitais do congressista. Recentemente, em outra publicação, Flávio declarou sofrer uma suposta perseguição política de intensidade similar à enfrentada pelo ex-mandatário do Executivo federal, oportunidade na qual utilizou uma metáfora religiosa ao se comparar à figura bíblica do profeta Elias.

Os discursos de vitimização e o reforço na segurança pessoal coincidem com o período de repercussão de mensagens e arquivos de áudio vazados envolvendo o nome do senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. Conforme revelado em reportagem do veículo The Intercept Brasil, os diálogos mostram Flávio Bolsonaro cobrando um repasse financeiro na ordem de R$ 134 milhões para subsidiar a execução de “Dark Horse”, uma obra cinematográfica de caráter documental sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Após a publicação das conversas, o senador confirmou que atuou na interlocução para captar patrocínio junto à iniciativa privada para o projeto audiovisual, mas rechaçou a ocorrência de irregularidades ou o emprego de dotações orçamentárias de origem pública. A empresa responsável pela produção do documentário informou, por sua vez, que as cifras mencionadas nos áudios não foram transferidas aos seus caixas.

Desempenho em pesquisa de intenção de voto

O tensionamento de imagem provocado pelo episódio do documentário coincide com oscilações negativas nos indicadores de viabilidade eleitoral do pré-candidato. Uma pesquisa de intenção de voto realizada pelo instituto Futura Inteligência, em parceria com a Apex, divulgada na última sexta-feira (22), apontou uma retração nos índices do parlamentar em um cenário simulado de segundo turno contra o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o relatório estatístico da amostragem, o presidente Lula lidera o confronto direto com 47,7% das intenções de voto, ao passo que Flávio Bolsonaro contabiliza 42,2%. O resultado consolida uma perda de 4,7 pontos percentuais no desempenho do senador quando confrontado com os dados coletados no levantamento imediatamente anterior do mesmo instituto.

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