“Há algo no ar além dos aviões de carreira.” A famosa frase do irreverente Barão de Itararé atravessou décadas e continua atualíssima quando o assunto é política. O velho humorista costumava usar a expressão para indicar que existiam movimentos silenciosos, articulações escondidas e tensões circulando nos bastidores do poder. E no Acre, neste momento, ela parece cair como uma luva.
A entrevista concedida pela governadora Mailza Assis ao podcast Em Cena, do ContilNet, apresentado pelo jornalista Everton Damasceno, não foi apenas mais uma conversa política protocolar.
Quando Mailza deixou escapar que pode mexer no primeiro escalão do governo, ela claramente não falou por falar. Na política, principalmente para quem ocupa o comando do Estado, frases assim quase nunca são gratuitas.
O clima nos bastidores anda estranho. Tem secretário que posa de aliado durante o dia, mas nos corredores mantém distância estratégica. Outros preferem o silêncio absoluto, talvez esperando para descobrir para onde sopra o vento antes de mostrar posição. Há ainda aqueles que fingem entusiasmo, mas demonstram uma frieza que não passa despercebida para quem conhece minimamente o ambiente político.
E se existe algo que ninguém deve fazer é subestimar Mailza Assis. A governadora pode carregar uma imagem tranquila, gentil e discreta, mas percorreu um caminho político longo demais para não entender o jogo do poder. Ninguém chega ao Senado, à vice-governadoria e depois ao comando do Estado apenas por acaso. Política exige leitura de cenário, memória e capacidade de identificar quem está ao lado apenas por conveniência.
Ao lado dela também está Madson Cameli, integrante de uma família tradicionalmente conhecida pela habilidade política e pela capacidade de reação nos momentos decisivos. Em política, aparência serena nunca significou ingenuidade.
Por isso, a velha frase do Barão de Itararé volta a ecoar nos corredores do poder acreano. Há, sim, alguma coisa no ar. E definitivamente não é avião de carreira.
Diante do clima de tensão, não causará surpresa se, a qualquer momento, algumas cabeças começarem a rolar. Porque, como ensinava o Barão de Itararé, quando há algo no ar, nem sempre pode ser um avião de carreira.
