A nova configuração do Podemos no Acre, agora sob o comando de Jorge Viana, reacendeu antigas rivalidades políticas e colocou em evidência a permanência do vereador Hildegard Pascoal na sigla. Apesar do histórico de embates entre Jorge e seu pai, o ex-deputado Hildebrando Pascoal, Hildegard afirmou nesta quinta-feira (30), em entrevista ao ContilNet, que seguirá no partido e descartou qualquer clima de guerra interna.
“Não somos inimigos. Temos posicionamentos diferentes, ideologias diferentes, seguimos linhas diferentes”, declarou o parlamentar, ao comentar a relação com o novo dirigente estadual do Podemos.
A declaração ocorre após Jorge Viana confirmar que assumiu o comando do partido no Acre. A articulação foi fechada em Brasília, junto à direção nacional da legenda, e faz parte da estratégia do ex-presidente da ApexBrasil para fortalecer o partido visando as eleições de 2026, quando deve disputar uma vaga ao Senado.
Mesmo diante da mudança, Hildegard garantiu que o diálogo com Jorge tem sido respeitoso e sem perseguições.
“A conversa com o próprio Jorge está sendo bastante agradável, não está tendo aquela aflição e fogo. Ele entende minha linha de pensamento, entende nossa ideologia”, afirmou.
“De forma alguma vou sair”
Questionado se deixaria o Podemos após a chegada de Jorge Viana, Hildegard foi enfático e ressaltou que, além da decisão política, também está impedido de deixar a legenda neste momento por conta da legislação eleitoral, já que a troca partidária fora da janela pode trazer consequências ao mandato.
“De forma alguma, vou permanecer lá. Não posso sair do Podemos. Graças a Deus o diálogo está sendo muito bom”.
Segundo ele, a intenção neste momento é apenas buscar liberação de algumas obrigações partidárias durante o período eleitoral, já que reconhece que ambos devem seguir caminhos diferentes no próximo pleito.
“Fica meio difícil caminharmos juntos nesse pleito eleitoral”, admitiu.
Ao longo da entrevista, Hildegard também rejeitou a narrativa de confronto político e disse que prefere o entendimento ao embate.
“Eu sempre achei que a política é a arte da conversa, do bom entendimento, e não a arte da guerra”, pontuou.
Ele ainda criticou a expectativa de parte da população por conflitos e respondeu que sua prioridade será atuar em defesa da cidade.
“Se quiserem um circo, não vão ter de mim. Esperem de mim um parlamentar que vá às ruas brigar pelo que a população espera e necessita”, disse.
Hildegard assumiu nesta semana uma cadeira na Câmara Municipal de Rio Branco como primeiro suplente do Podemos, após o vereador João Paulo deixar o mandato para assumir a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos no governo Mailza Assis.
Nas eleições de 2024, Hildegard obteve 1.240 votos, mas não conseguiu reeleição direta.
A permanência de Hildegard no partido chama atenção pelo passado político entre as famílias. Filho de Hildebrando Pascoal, ex-deputado e ex-comandante da Polícia Militar do Acre, ele agora divide legenda com Jorge Viana, que no fim da década de 1990, quando governava o estado, foi um dos principais nomes ligados ao enfrentamento político que culminou na prisão de Hildebrando.
Mesmo com esse histórico, Hildegard afirmou que prefere olhar para frente.
“Não quero saber do passado, é de agora para frente”, concluiu.
